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segunda-feira, 15 de abril de 2024

As minhas canções de Abril - #7

Não me lembro da primeira vez que ouvi esta canção. Terá sido uma das várias que conheci em 25 de Abril de 1974, junto ao rádio onde passei o dia quase todo? Não importa. Com 11 anos, eu era muito novo para perceber o que a letra queria dizer. 

Tenho ideia de, muito mais tarde, num concerto do José Mário Branco, já eu aluno dos últimos anos do liceu, o significado do poema de Natália Correia me ter caído em cima de repente como um fardo e me ter feito perceber a minha condição de estudante antes e depois da revolução e um monte de razões para um monte de coisas em que as pessoas mais velhas do que eu acreditavam e de que tinham medo e que muitos continuavam, mesmo em tempos revolucionários, a tentar enfiar-nos na cabeça. Sendo eu na altura um rapazinho que fazia questão de guardar para mim o que me ia na alma, processei a coisa sozinho e jurei que comigo havia de ser diferente. 

Andávamos então por finais dos anos 70, inícios dos anos 80. Há quem diga, por brincadeira, que eu já nasci com 18 anos. Tem piada, mas é mentira. Essa foi a idade em que eu comecei a fazer praticamente tudo o que devia e não devia ter feito. Foi a idade das escolhas mais difíceis. Sim, é verdade. E a vida que se seguiu foi resultado dessas escolhas. Numas coisas resultou, noutras nem por isso, será sempre uma questão de opinião. Houve coisas que perdi, mas outras que não, como esta teimosia de "não ir por aí", como dizia o outro, e houve as que me foram apanhando, uma delas esta tristeza que é ver de novo cumprir-se cada vez mais esta queixa, numa altura em que já não temos a Natália nem o Zé Mário para "avisar a malta".

Por mim, não fui "marujo de papelão" nem "cabeça presa à cintura". Posso ter dormitado no ombro de um fantasma ou outro, mas continuo a cuspir todos os pedaços de história de que me não reconheço no enredo. Não reclamo louros de ninguém mas também não assumo culpas de bandidos que aqui viveram antes de mim. A minha dimensão é a vida até eu e a minha circunstância decidirmos o contrário. 

Obrigado Natália. Obrigado Zé Mário.

#7. José Mário Branco - "Queixa das Almas Jovens Censuradas"
(Letra: Natália Correia; música: José Mário Branco)





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