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terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Festival da canção RTP 2024 - Algumas considerações depois da primeira "semi-final"

Quase todos os anos vejo o Festival da Canção da RTP, quase todos os anos escrevo alguma coisa sobre o assunto e, sempre que o faço, a maior parte dos meus amigos me fazem a seguinte pergunta: "Eh pá, tu ainda vês essa chachada?"


Sim, vejo. E porque é que vejo? Primeiro, porque é música nova feita de propósito para a ocasião por um grupo de compositores, alguns convidados, outros apurados por concurso, mas principalmente com a vantagem de não serem escolhidos pelo habitual grupo que seleciona os momentos musicais dos programas de fim de semana ou das manhãs e tardes televisivas.

Sim, apanha-se muita música fraquinha e mal cantada mas também aparecem algumas boas surpresas que, se não ganharem, o mais certo é nunca mais as ouvirmos em lado nenhum.

Quanto a esta "semi-final" em particular, tenho algumas considerações a fazer. O mais certo é muito pouca a gente as ler, como tudo o que escrevo neste blogue, mas sempre fica por aqui uma opinião que tem pelo menos a vantagem de ser isenta de todo e qualquer pré-engajamento com algum dos concorrentes. Por outro lado, preciso de me manter ocupado e escrever é sempre uma maneira de combater a estupidificação. Sendo assim, leiam ou não, aqui fica:

1. A duração do programa de televisão.

Quem me conhece sabe da minha aversão à extremamente longa duração dos programas de talentos que passam na televisão. Ora, quando se trata de uma suposta semi-final dum concurso para escolher uma canção para levar a um outro concurso, este internacional, parece-me que três horas e meia de duração é um exagero bastante tormentoso para quem vê, até porque há apenas dez canções a concurso em cada semi-final. Ora, o tempo de emissão de dez canções é, no máximo, com apresentações e considerações, de 50 minutos. Assim sendo, tirando, vá lá, meia hora de música adicional (desta vez uma sentida homenagem a Sara Tavares e uma estranha celebração da carreira dos Delfins, que poderia ter sido feita em qualquer outro lado), ficam pelo menos duas horas de pura PALHA. Não se justifica tanta conversa, tanto vestido, tanto apresentador, tanta entrevista... eh pá. é só uma semi-final dum concurso de canções, certo? Não. A verdadeira razão de tanto tempo de emissão, tanto nos festivais como nos programas de talentos chama-se televoto. É ele, juntamente com toda a publicidade apresentada, que paga os programas. E quanto mais demorar, mais o pessoal vai votando e euro aqui... euro ali... enche a RTP o papo.

2. Os acompanhamentos em playback.

Nos antigos festivais da canção, as músicas eram todas tocadas ao vivo com orquestra e cantadas em direto. Nos dias de hoje, o que se passa é que este festival não é mais do que um concurso para escolher uma canção que vai representar a RTP (sim, a RTP, não Portugal, percebem?) num concurso internacional de canções representantes de televisões (não países, ok?) que são membros de uma coisa chamada União Europeia de Radiodifusão, também conhecida vulgarmente como Eurovisão. Ora, nesse concurso internacional chamado European Song Contest (Em português Festival da Eurovisão), todos os acompanhamentos musicais são pré-gravados, o que mais ou menos obriga a que aconteça o mesmo no concurso português (embora entre um e o outro se possam fazer algumas alterações, mas isso não interessa para aqui). Por isso, se virem alguém a fazer um grande solo de guitarra ou de piano, esqueçam. Só as vozes são ao vivo. E isso leva-nos a outro tipo de consideração.

3. As (por vezes) desafinações dos cantores

É tradicional dizer-se do Festival da canção que o pessoal se farta de desafinar. E é verdade. Nesta semi-final voltou a acontecer com alguns concorrentes. Uns desafinaram, outros não conseguiram mostrar toda a voz que, eventualmente tinham e outros estiveram mesmo muito bem. Porque é que isto acontece? Não me parece que, à partida, se mande para um concurso destes alguém que não sabe cantar. Muitas vezes é a coreografia, a falta de tempo para preparar a voz, a falta de hábito de ir a palco cantar uma única canção, os nervos, sei lá. Desta vez as mais prejudicadas foram a Mela (eliminada), que não conseguiu chegar com a voz onde ela sabia que chegava (o vídeo de apresentação estava perfeito) e a cantora dos Perpétua (apurados), talvez por efeito da coreografia. A Mila Dores que, quanto a mim, tinha a melhor canção (eliminada), não conseguiu colocar a voz que a canção precisava, principalmente no refrão. Do outro lado da coisa, há que destacar a Iolanda, sem dúvida a melhor intérprete da noite, numa canção de que não gosto, A jovem Rita Rocha que, embora cantando um estilo do qual estou bastante cansado devido à profusão de intérpretes do género no ativo teve uma excelente prestação vocal e o Noble, embora com uma canção terrível a fazer lembrar as baladas pop dos aos 80, que se saiu bastante bem, embora tenha falhado os falsetes todos.

4. As canções

Durante o processo fui comentando em círculos mais ou menos privados o que achava de cada canção e intérprete mas, depois das primeiras dez canções a concurso, a impressão geral é de que mais de metade destas canções pouco mais serão ouvidas a partir daqui. Para mim, as melhores eram "Água" da Mela e "Afia a Língua" de Mila Dores e Filipe Sambado. Ambas eliminadas. As outras, entre duas ou três de pop anacrónico, outras duas saídas desta nova onda de cantautoras da qual estou nitidamente a precisar de descanso, outras duas mais modernas mas pouco interessantes e a do Bispo... não gostei. 

5. As apuradas

Rezam os registos que as canções apuradas pelo juri, juntamente com o público são as de Nena, Rita Rocha, Perpétua, João Borsch e Iolanda. Depois a RTP voltou a abrir as votações para faturar mais um pouco e o público escolheu a canção do Noble. 

Poucas vezes acerto ou concordo com as escolhas, principalmente as do público, o cúmulo disso foi quando afirmei que a canção de Salvador Sobral era a melhor da primeira semi-final e levei na cabeça em todo o lado pela pouca hipótese que tinha "lá fora" por ser tão pouco "festivaleira". Eu por mim, estou como o Miguel Esteves Cardoso disse este sábado: "Fazer boa figura cá! Depois os estrangeiros lá..."

domingo, 25 de fevereiro de 2024

HOT CLUBE DE PORTUGAL VAI REABRIR NA PRAÇA DA ALEGRIA

Boas notícias!
Notícia de 21-02-2024 retirada do site da Câmara Municipal de Lisboa.
Que, por uma vez, se cumpra a promessa.


É considerado um dos melhores 100 clubes de jazz do mundo e vai reabrir portas em 2025, na Praça da Alegria, 47. O direito de superfície, por 50 anos, foi aprovado por unanimidade na reunião de câmara de 21 de fevereiro, e deverá ser submetido à aprovação da Assembleia Municipal.


O Hot Clube de Portugal, fundado em 1948, é um dos mais antigos clubes de jazz da Europa, sendo uma “referência a nível nacional e internacional na sua área de atuação”, considera a proposta hoje aprovada.
Instalado na Praça da Alegria, desde a década de 1950, um incêndio, em 2009, obrigou à deslocação do clube para outro edifício no mesmo local, onde se manteve nos últimos anos. Em 2023, após uma vistoria da Proteção Civil municipal, a Câmara determinou “interdição e desocupação imediata” do prédio na Praça da Alegria, 47 a 49, obrigando ao encerramento do espaço.
O encerramento, considera a Câmara Municipal de Lisboa, “representa uma enorme perda para a dinamização cultural da cidade de Lisboa, uma vez que a sua programação é única”.
De acordo com a proposta, o município "pretende continuar a apoiar o Hot Clube de Portugal”, tendo encontrado um espaço de caráter definitivo na Praça da Alegria, no prédio municipal números 47 a 49, num espaço que será reabilitado e recuperado “em duas fases”.
O clube, estabelece o acordo, compromete-se a começar a primeira fase da obra ainda em 2024, e reiniciar a sua atividade no próximo ano.
Em 2005, a Câmara Municipal de Lisboa atribuiu ao Hot Clube de Portugal a Medalha de Honra da Cidade, por "serviços de excecional relevância" prestados à cidade.