Agenda de concertos (carregar no evento para mais informação)

domingo, 7 de junho de 2020

Mark O'Connor, "Markology" (1979)

Mark O'Connor é um dos mais conhecidos violinistas de Bluegrass. Para além disso é professor de violino e criador de um método de ensino que se opõe ao tradicional método Suzuki (mas isso é uma história para outro dia). O que importa para o texto de hoje é o facto de, apesar de nos últimos mais de 20 anos ser conhecido como um dos grandes do violino, por alturas de 1979 Mark O'Connor (com 16 anos de idade) ser conhecido principalmente pelas suas habilidades como guitarrista. Markology é o primeiro álbum publicado em nome próprio por Mark O'Connor, no qual só toca guitarra. E como! Para além disso, acompanhado por outros nomes grandes do mesmo instrumento, como Tony Rice e Dan Crary, e outras estrelas do género como Sam Bush e David Grisman em bandolim e Bill Amatneek no baixo.
Mark O´Connor deixou de tocar guitarra e bandolim no fim dos anos 90, devido a problemas de bursite e tendinite no braço direito. Em 2016 voltou a pegar na guitarra para descobrir que ainda é tão bom guitarrista como quando parou. Fico à espera do próximo álbum de guitarra.

Este é um dos álbuns que me faltam ali na estante, apenas porque nunca o encontrei à venda. Se o virem por aí, tragam-no (desde que seja a um preço que eu possa pagar, claro).

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Surge, de Ser Castro: Pôr os abraços em dia.

Quando começaram a surgir os primeiros rumores acerca do projeto de disco a solo do Sérgio Castro, tentei imaginar o tipo de álbum que poderia ser e, pesando o percurso que conhecia, achei que seria um disco bastante diferente do trabalho nos Trabalhadores do Comércio. Pensei que poderia ser um álbum introspetivo, basicamente acústico com uma ou outra colaboração, ou então uma coisa mais à antiga (parece que agora se diz old school), ancorada no funk-rock dos Arte & Ofício, mas mais chegada ao universo algo esquizofrénico de um Frank Zappa. Não me saiu nem uma coisa nem outra, ou se calhar saiu-me todas juntas. Onde acertei completamente ao lado foi na língua. Pensei português, saiu inglês. Toma! É para não te pores a querer abrir a encomenda antes da chegada do carteiro.

Surge, de Sérgio Castro (no caso, Ser Castro) é notoriamente um disco solitário e introspetivo na sua conceção, mas coletivo e virado para fora no que respeita à concretização, tanto em termos de produção, de execução e até de expressão gráfica e artística (quem mais daria liberdade aos amigos para ilustrar as canções com trabalhos originais e lhes daria o destaque de um livro de exemplar qualidade gráfica em formato de disco vinil?). De facto, o livro é a primeira grande surpresa deste trabalho, diria, multidisciplinar. Cada canção tem direito a uma ilustração original, um texto explicativo em duas línguas e uma ficha técnica impressos com uma qualidade invulgar. O CD aparece na última folha, num singelo envelope plástico, como uma adenda à obra. Pegamos nele, pomo-lo a tocar (ainda têm leitores de CD? eu tenho) e rapidamente somos lembrados do que afinal se trata aqui: música! E da boa!

Em Surge, Ser Castro parece ter percebido que, com tantos anos de música em projetos coletivos e alheios, se tinha esquecido de revelar mais um pouco de si. E o que faz, neste primeiro disco a solo (sim, penso que mais se seguem), é uma rápida retrospetiva da “parte de trás”, digamos assim, dos seus 50 anos de música. O autor vai a cada uma das suas “gavetas” de vida e revela um pouco de cada uma, sempre com a ajuda dos amigos que a cada uma pertencem (ou lamentando a sua falta, mas nunca os esquecendo). O resultado é um álbum necessariamente heterogéneo em termos estilísticos, mas de grande qualidade, primorosamente tocado e cuidadosamente produzido. Todas as canções são muito diferentes umas das outras, sim, mas nunca há a sensação de se perder o fio à meada, mesmo não seguindo o alinhamento uma linha temporal, ou se calhar mesmo por não a seguir.

Surge poderia ser um álbum biográfico, mas acaba por se tornar um disco sobre momentos, amizade, saudade, agradecimento e reconhecimento. Mais do que tentar fechar capítulos, parece mais um assumir do lugar das coisas para seguir em frente. Assumem-se perdas, lembra-se quem já não está e promove-se o encontro com os amigos que se foi fazendo pela vida fora, como queremos fazer todos a certa altura das nossas vidas. No caso, nem todos os que estavam previstos conseguiram chegar a participar, o que deixa espaço em aberto para continuar a função em obras futuras. Se os discos a solo do Sérgio Castro se alimentam de amizades, pois que venham mais amigos, que nós cá os saberemos receber.

No fim, afinal o que podemos ouvir em Surge? Como se consegue enfiar cinco décadas num só álbum e de que constam esses 50 anos em termos estritamente musicais? Pois, é difícil, impossível até, inserir este disco num único género (é sempre, com o Sérgio Castro) mas, no meu caso, consigo ouvir aqui um conjunto de influências que não é certamente de lamentar, a saber: The Beatles, Moody Blues, Go Graal Blues Band (a original), Bowie, Scott Walker, Bob Seger, JJ Cale, Peter Green, Allman Brothers, Billy Joel, Zappa, Queen… e sim, Arte & Ofício e Sérgio Castro. Trabalhadores? Nem por isso, mas para isso temos aí os respetivos discos, certo?

Grandes momentos a assinalar: A voz de Daniela Costa no refrão de The Dark Hour; o solo de guitarra acústica e os coros em Slow Down; o diálogo das guitarras e o baixo “refilão” no final de Douro Blues; o piano e a guitarra acústica (que faz uma “caminha sarcástica”) em My Delightful Friend; o solo de guitarra acústica em Hard Blow; Fernando Nascimento em The Same Old Song. E mais uns quantos, mas a prosa já vai longa e já escrevi para aí o triplo do que planeei, que nisto dos blogues, a coisa tem que se ler rápido.

E é verdade. Também eu deixei passar uns abraços pelo caminho. Todos deixamos, penso eu!

Obrigado, Sérgio.



quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Tó Trips e Leyla McCalla no Teatro da Trindade, 15/10/2019

Palco: Tó Trips em primeiro plano, Leyla McCalla ao fundo
Tenho publicado pouco por aqui, eu sei. A verdade é que não tenho tido assim tanta disponibilidade para ir a concertos ou comprar discos e não escondo que por vezes me desmotivo, na convicção que já ninguém vem aqui ler nada.

Mas de vez em quando tenho que cá vir deixar qualquer coisa, quanto mais não seja para minha própria memória futura, que esta capacidade de armazenamento não vai durar para sempre.

Ontem fui ver o concerto da Leyla McCalla, uma americana de ascendência haitiana que fez o percurso inverso que a levou de volta da escola de música que frequentou nos Estados Unidos para as suas raízes crioulas haitianas e caribenhas, com passagem por New Orleans e Carolina do Norte, como membro dos Carolina Chocolate Drops, onde trabalhou com Rhiannon Giddens, o que a levou a ser parte do coletivo que gravou o disco Songs Of Our Native Daughters, de que falei na publicação anterior.

Tó Trips encarregou-se, a solo, da primeira parte, com a competencia e a discrição habituais. Não sendo Tó Trips um dos grandes guitarristas portugueses, a verdade é que aquilo que faz, faz bem. Embora, em termos de trabalho de guitarra, o que faz a solo não seja muito diferente do que faz com os Dead Combo, o ambiente das composições a solo tem algumas diferenças do trabalho com Pedro Gonçalves, não só por estar sozinho, mas também pelo cariz mais cru e rude que imprime à execução. É sempre um prazer ouvir Tó Trips.

Cds, bilhete e livrete do Ciclo Mundos 2019
Quanto a Leyla McCalla, devo admitir que fui para o concerto já conquistado. Se por um lado isso dá maior tolerância a alguns defeitos menores, também é verdade que pode transformar a experiência numa grande desilusão. Mas não foi o que aconteceu. Se é verdade que a banda poderia ser um pouco mais cúmplice com a artista, também o é que esse foi o único defeito menor. Tudo o resto foi boa música, simplicidade, dedicação e firmeza de caráter por trás de uma encantadora timidez. Leyla compõe, canta, toca e faz passar a sua mensagem com a simplicidade dos grandes artistas, aqueles que guardamos para memória futura.

E foi por isso que, apesar de sair do orçamento projetado (mas que diabo, o bilhete custou 8€), tive que trazer para casa os dois discos à venda, ao mesmo tempo que deixava à artista o testemunho do meu reconhecimento e gratidão pela noite de excelente música que tinha acabado de passar.


Leyla McCalla:

sábado, 27 de abril de 2019

Songs Of Our Native Daughters

Um dos melhores álbuns que ouvi nos últimos tempos.

Rhiannon Giddens, Amythyst Kiah, Leyla McCalla, e Allison Russell são todas grandes artistas em nome próprio. Neste projeto juntam forças para dar vida a canções de luta, resistência e esperança protagonizadas por mulheres, inspiradas em histórias dos séculos XVII, XVIII e XIX. Histórias de escravatura, racismo e misoginia vistas da perspectiva da mulher negra.

De um ponto de vista estritamente musical, o álbum é daqueles que só se consegue largar quando acaba, muitas vezes apenas para o pôr de novo no início. 

Aqui só há boa música, boas cantoras, boas instrumentistas, uma produção límpida, apenas com o que precisa de lá estar.

Uma fantástica edição com o selo da Smithsonian Folkways.

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Grande Festa!

A Lena d'Água está de volta!
Eis o primeiro single:



"Grande Festa"
Letra e Música - Pedro da Silva Martins

Guitarra Elétrica - Francisca Cortesão 
Guitarra Elétrica - António Vasconcelos Dias: 
Rhodes, Clavinet, Microkorg, Juno106, guitarra acústica, coros - Benjamim
Baixo - Mariana Ricardo
Bateria, percussão - Sérgio Nascimento

Arranjo - Francisca Cortesão, João Correia, António Vasconcelos Dias, Benjamim, Mariana Ricardo e Sérgio Nascimento
Produzido por - Francisca Cortesão, Benjamim, Mariana Ricardo e Sérgio Nascimento
Gravado em Dezembro de 2018 nos Estúdios Valentim de Carvalho por Nelson Carvalho, assistido por Tiago Correia, João Pedreira e Nuno Simões
Edição adicional por João Mendes
Misturado por Eduardo Vinhas no Golden Pony em Fevereiro de 2019
Masterizado por Mário Barreiros no MB Estúdio

 Produção executiva de Pedro da Silva Martins e Sérgio Nascimento.

Dina (1956-2019)


Gouveia Art Rock 2019

O programa a seguir divulgado não é ainda o definitivo, podendo ser sujeito a algum acerto (informação no site do festival).

Sexta, 3 de maio de 2019, Câmara Municipal de Gouveia

22:00-22:15 cerimónia de abertura
22:15-23:30 Luca Stricagnoli [Itália] + Meg Pfeiffer [Alemanha]

Sábado, 4 de maio de 2019, Teatro-Cine de Gouveia

15:00-16:15 The Loomings [França]
16:45-17:45 Luca Stricagnoli [Itália] + Meg Pfeiffer [Alemanha]
18:30-19:45 The Advent of March [Bélgica]
22:00-22:45 Isildurs Bane [Suécia] + Karin Nakagawa [Japão]
22:45-23:30 Peter Hammill [Inglaterra]
23:30-23:45 intervalo
23:45-00:30 Peter Hammill [Inglaterra] + Isildurs Bane [Suécia]




Domingo, 5 de maio de 2019
Teatro-Cine de Gouveia

15:00-16:00 Courtney Swain [Estados Unidos da América]
16:30-17:45 Wobbler [Noruega]

Igreja de S. Pedro de Gouveia

18:30-19:00 Karin Nakagawa [Japão]
19:00-19:45 Filipe Quaresma [Portugal]

Teatro-Cine de Gouveia

21:15-22:45 Salut Salon [Alemanha]

Atividades paralelas
Os diversos eventos paralelos do festival são de acesso gratuito, não sendo necessária a aquisição de bilhete.

Sábado, 4 e domingo, 5 de maio de 2019
Galeria do Teatro-Cine de Gouveia

14:30-24:00 Feira do disco, cartaz, memorabilia
e merchandising.

Domingo, 5 de maio de 2019
Biblioteca Vergílio Ferreira

10:30-11:30 Debate sobre tema a anunciar introduzido e moderado por Thomas Olsson (Universidade de Lund, Suécia), com a partipação de músicos e críticos presentes no festival.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

A padeira e os Gaiteiros!

Os Gaiteiros de Lisboa têm álbum novo a sair! Finalmente!

A formação do grupo mudou (ver abaixo), mas a qualidade, pelo menos a julgar pela amostra junta, mantém-se. Esperemos a edição do álbum completo.

Fazia pão
Broa de milho e bolos
Não sabia marcar golos
Não foi para o Panteão (pim)




"Brites de Almeida"

Música do novo disco "Bestiário" (Uguru, 2019)

Música e letra: Carlos Guerreiro

Gaiteiros de Lisboa de Lisboa são:
Carlos Guerreiro
Miguel Quitério
Miguel Veríssimo
Paulo Tato Marinho
Paulo Charneca
Sebastião Antunes

Vídeo realizado por Miguel Veríssimo
Com Carla Vasconcelos

Maquilhagem por Rita de Castro
Operação de Câmara por Paulo Martinho

Agradecimentos: Teatro A Comuna

© Gaiteiros de Lisboa 2019

domingo, 10 de março de 2019

PLAY - Prémios da Música... Portuguesa?

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A Associação PassMúsica, entidade constituída pela AUDIOGEST e pela GDA, será o promotor da primeira edição dos PLAY - Prémios da Música Portuguesa. O prémios serão atribuídos em cerimónia realizada no próximo dia 9 de abril mas, a menos de um mês de distância, ainda não se sabe quem são os nomeados e, nas páginas dos responsáveis pelos prémios, não se vê qualquer esclarecimento sobre a maneira como se processam as nomeações e a maneira como são votadas.

Vale-nos o site Arte Sonora, onde podemos ler:

Entre 23 de Março e 8 de Abril, serão transmitidos 17 programas diários na RTP1 e online com a divulgação dos nomeados por categoria e diversos conteúdos relacionados com os PLAY – Prémios da Música Portuguesa.

CATEGORIAS
Melhor Grupo (Votado pelo Júri)
Melhor Artista Solo (Votado pelo Júri)
Vodafone Melhor Canção (Votado pelo Público)
Melhor Álbum (Votado pelo Júri)
Melhor Videoclipe (Votado pelo Júri)
Melhor Álbum Fado (Votado pelo Júri)
Melhor Artista Internacional (Votado pelo Júri)
Melhor Canção Internacional (Votado pelo Júri)
Melhor Artista Lusófono (Votado pelo Júri)
Artista Revelação (Votado pelo Júri)

Prémio da Crítica (não tem nomeados, votado por um painel de 10 críticos)
Prémio Carreira (não tem nomeados, votado pelas direções da Audiogest, GDA e PassMúsica )

Critérios de votação e funcionamento
Estão definidos critérios volumétricos para cada categoria que permitem determinar o universo de candidatos
Numa primeira fase, a Associação PassMúsica apura listas de elegíveis para cada categoria, obedecendo a critérios objetivos assentes no volume de streaming, vendas físicas, full track download e visualizações;
Numa segunda fase, a Associação PassMúsica fornecerá as listas de elegíveis ao Comité de Nomeação (9 pessoas), que de uma forma colegial e qualitativa escolherá três nomeados para cada uma das categorias.
O primeiro classificado das listas para cada categoria torna-se automaticamente nomeado.

Ora, assim à primeira vista percebemos que os critérios utilizados para as nomeações são, basicamente, as vendas e as visualizações e audições online. Considerando que não há prémios para os vários tipos de música (tirando o fado), facilmente constatamos que grande parte dos melhores músicos do país fica, à partida, excluido por falta de vendas e visibilidade. O critério principal é a quantidade. Que se lixe a qualidade.

No fim do processo tenta-se "endireitar" um pouco a coisa com a atribuição do prémio da crítica e do prémio carreira, da responsabilidade de críticos e da própria associação responsável pelos prémios.

Enfim, são os prémios da "indústria" e eu não esperava que a realidade fosse muito diferente.

Do que eu não estava à espera era do nome dos prémios. Que diabo, se são os prémios da música portuguesa e se, nas palavras do próprio texto de apresentação dos prémios no facebook, a música "É uma das principais marcas da identidade cultural de um povo" por que raio de carga de água é que os prémios não têm um nome em português? Quem me conhece sabe que não nutro nenhum sentimento patriótico ou nacionalista no que respeita a este país (podia ser este ou outro qualquer) mas a língua é a principal marca da nossa identidade como povo e o que nos diferencia do resto do mundo. E é das mais bonitas, caramba!