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sábado, 17 de janeiro de 2009

Dose dupla de João, meia-dose de Ogre

Nunca vi um mau concerto da Maria João. Isto é ponto assente.
No anos que levo (pronto, muitos) de espectador assíduo dos concertos da rapariga, nunca vi uma situação dificil de que ela não conseguisse sair, muitas vezes airosamente, outras tantas mesmo com ganhos no resultado final e isto nos mais variados contextos e formatos de concerto. Quinta-feira no CCB, Maria João voltou a sair muito bem de uma situação complicada.

Por esta altura já estão a pensar: "com uma introdução destas, vem aí bomba pela certa".

Não. O que se passou foi, muito simplesmente, a apresentação do roteiro de uma "viagem" (O projecto "Ogre" protagonizado pelos dois músicos) ainda por concretizar, ou seja, já se vê onde o projecto quer ir, percebe-se o caminho que quer tomar, mas falta terminar a construção do veículo.

João Farinha traz uma abordagem diferente à música que Maria João canta, quanto a isso não há dúvidas. Há, de facto, uma direcção diferente, boas ideias de aplicação da tecnologia ao pulsar tradicionalmente acústico do Jazz mas falta ainda alcançar, em certas alturas, o "ponto de fusão". As possibilidades são imensas mas nota-se alguma contenção, compreensivel se pensarmos que, talvez paradoxalmente (ou não, sei lá eu...), a chamada "Música da Liberdade" (sim, o Jazz) tem mais regras que o Código Civil e muito mais guardiões dessas regras do que se poderia pensar. Basta lembrar o que a prória Maria João já enfrentou de críticas a esse respeito pela carreira fora. O lado bom é que já está habituada. Dito isto, e pelas pistas avançadas, estou bastante interessado em perceber qual será o resultado final de coisas como as ensaiadas em Parrots and Lions ou Dancing in The Dark (sim, a do Springsteen) que, nitidamente, ainda não resultam em pleno. Já as abordagens diferentes das que já lhe tinha ouvido a outras músicas (como o Old Man do Neil Young) resultaram bem melhor.

Bom, agora estão talvez confusos: "então mas o concerto foi bom ou não foi?".

Foi.
O que levou tantas linhas a explicar aí em cima resulta, no fim, da percepção de pequenos momentos, muitas vezes laterais ao próprio concerto e ao que passa do palco para a plateia e aí não há praticamente nada onde encontrar defeitos. João e João encontram-se a caminho do entendimento perfeito (nota-se ainda em João Farinha alguma "reverência para com a Diva" mas isso passa) e a Maria João tratou de demonstrar em directo porque é que não chega ouvir os discos para se gostar da sua música. Não sei bem explicar, mas "aquilo ao vivo é que é"!

Na verdade, o que me leva a dizer que este não foi dos melhores concertos que vi da Maria João (pois, do João Farinha nunca tinha visto nenhum) prende-se principalmente, tal como na semana passada, com as condições do "auditório", demasiado pequeno para um número de assistentes potenciado pela circunstância "borla" (mesmo assim melhor que no Casino Estoril - no CCB não se ouvem Slot-machines em fundo), as evidentes deficiências da monição de palco que levaram, por exemplo, Maria João a cantar completamente fora do "sample" de orquestra em "When You Wish Upon a Star" e uma ou outra "intervenção" extemporânea de facções do público, diria eu, em "estados de adoração patológica".


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