Agenda de concertos (carregar no evento para mais informação)

sábado, 30 de abril de 2005

Então e a família?


Foto: Tambor

Pois é. Tenho andado aqui a falar destes e daqueles mas ainda não dei um espaço à famelga, mais propriamente à banda do "mê mano" Padi, Tambor.

Pois Tambor existe desde 1998 e já leva 3 álbuns gravados. É verdade que não gosto de tudo o que eles fazem mas a coisa tem melhorado bastante, principalmente quando apostam num som mais ousado (ou menos usado, como queiram), mais denso, menos "pop".
Até agora têm sofrido um bocado com a (falta de) promoção dos discos mas isto também tem a ver com as editoras onde têm "caído", cada uma pior do que a outra. Espero que o último disco "Rádio" não sofra tanto desse mal mas, para já, as perspectivas não são lá muito animadoras. Lá está o tal problema: muita gente que faz música neste país acaba por ser "alternativa" mesmo sem querer (ou será por querer?).

Então aqui fica uma musiquinha do Tambor, e que também é o novo single, com remistura e tudo.

domingo, 24 de abril de 2005

A Baixo a Policia!



Em resposta ao Billy Shears ali ao lado no AiFai, decidi pôr aqui uma boa "malha de baixo" de Mr. Sting com os Police no álbum Synchronicity.
Pode até não parecer muito complicado mas dá muito balanço à música que, sem esta linha de baixo, até nem era nada de especial.
Vale a pena lembrar estas coisas de vez em quando!

domingo, 17 de abril de 2005

Abriu a Casa da Música!

Que bom!

Custou seis vezes mais do que devia e demorou mais quatro anos a construir do que o previsto!

Para alguns é uma obra-prima da Arquitectura. Para já ainda não fui ver a coisa no seu sítio para ter uma opinião mas já vou achando que, se era assim tão complicada de construir a ponto de demorar tanto e ter tantas "derrapagens" porque é que não a construiram direita em vez de "de pernas para o ar"?

O maior auditório tem 1200 lugares. O Coliseu do Porto parece que tem 3500!
Não tem fosso de orquestra. O Coliseu do Porto tem!
Viva o coliseu do Porto que até está "de telhado para cima"!
Que diabo! Até o Cine-Teatro Farense, que tenho estado a escavar, tinha fosso de orquestra. Será por isso que vai abaixo para construir 3 salas de cinema "modernas"?
Eles é que sabem!

Se quiserem ópera no Porto têm, sei lá, talvez o Rivoli, ou mesmo... o Coliseu do Porto!

Os grupos residentes da Casa da Música são, neste momento, o Remix Ensemble e... o Remix Ensemble!!!
É fixe, o Remix. Tem um maestro estrangeiro e 15 músicos dos quais 10 são... adivinhem... estrangeiros!

Depois tem umas regras giras. Não se pode entrar depois dos espectáculos terem começado. Acho bem, que o Lou Reed era capaz de se desconcentrar e cantar mal ou dar uma nota ao lado na guitarra. Descobrimos a pólvora. Afinal, durante cerca de 40 anos, têm entrado pessoas depois dos concertos do Lou Reed começarem!
Não se pode fumar em todo o edifício. Não faz mal. Também ninguém se atreve a sair ao intervalo com medo de demorar muito na mijinha e já não poder assistir à segunda parte por chegar... depois do espectáculo ter começado!

Por agora ficamos assim com esperança que aquilo sirva para o que foi feito. O CCB deu polémica mas lá vai funcionando. O desfile de vaidades e pseudo-intelectualidade que tem sido o processo Casa da Música não augura nada de bom. Espero que alguém que goste de música (toda a música!!!) possa pegar naquilo!

Em último caso, temos... o Coliseu do Porto!!!

sábado, 9 de abril de 2005

Isto também é português!



Old Jerusalem

Não é propriamente uma banda. Trata-se de um projecto pessoal de Francisco Silva a que se juntou Miguel Gomes.
Pois. Eu também não os conhecia de lado nenhum. Acabei por encontrar esta e outras músicas numa pequena editora chamada Bor Land que, com poucos meios, lá vai editando coisas muito interessantes.

Os Old Jerusalem dizem-se enquadrados na área do "Alternative country/folk". Como tenho alguns anti-corpos em relação a tudo o que se auto-proclama "alternativo" prefiro pensar que se movem no mesmo espaço musical que os Walkabouts ou os Lambchop, e que gostam de Neil Young, Ben Harper ou Red House Painters.
A música é boa, a voz é agradável, a execução não deslustra. Claro que a produção reflecte a falta de meios com que estas pequenas editoras lutam, o que me leva a pensar que o chamado "lo-fi" nem sempre é uma opção estética mas sim um "osso do ofício". Isto de produzir discos não nasce de geração espontânea e, se não há dinheiro para produtores, usa-se a "prata da casa" (no caso Paulo Miranda dos The Unplayable Sofa Guitar). Tudo bem. Com o tempo a coisa melhora e os pequenos defeitos que se notam não chegam para estragar o trabalho feito (coisa que já vi acontecer com produtores muito mais experientes).
Seja como for, é um bom disco e é isso que interessa, não é?

Quanto às polémicas que por aí andam sobre o que é e não é música portuguesa pergunto se não têm nada mais interessante para discutir. Para mim, português é o que é feito por portugueses e pronto! Com muita pena de alguns "puristas" a música vai-se tornando universal. Azar o deles! Na realidade o que interessa é que seja boa música. E esta é!


sexta-feira, 8 de abril de 2005

Avatara!



Blasted Mechanism

Cada vez mais me convenço que ganhar um pouco menos nos CDs dá os seus resultados!
Já tinha ouvido algumas músicas do mais recente disco dos Blasted. Tinha gostado e estava curioso para ouvir o resto até porque, em duas das canções, contavam com a colaboração da Maria João.
Passando por uma loja de discos para comprar um presente para uma amiga, lá estava ele, a pouco mais de 12€, mesmo à mão de semear. Não era caro, comprei!

Em boa hora!
Este é, sem dúvida, o disco dos Blasted de que gosto mais. Tinha comprado o primeiro e muito mal produzido "Balayhashi" e, desde aí, nunca mais me tinha entusiasmado com a banda. Apesar dos muito mexidos concertos, aquilo parecia ter encravado um pouco na mesma fórmula, para além de não ser grande adepto da estética utilizada.
Claro que há aqui coisas que não me dizem nada, como por exemplo a colaboração dos Dealema (o hip hop português é mesmo uma seca) mas, no geral, é um excelente disco que aconselho. Excelentes músicos, produção cuidada, imaginação, desta vez com bastante contenção nas "batucadas", boa música portuguesa para exportação. Sem medos, que não somos menos do que os outros!

domingo, 3 de abril de 2005

Anos 70 (parte III)



Steve Howe

Continuando nos meus guitarristas favoritos, aqui está um "ganda maluco" que descobri nos anos 70, como guitarrista dos Yes. Alguém se lembra deles? Ficam a saber que ainda mexem e, soube por portas travessas, podem cá voltar em breve.

Pois este senhor toca guitarra a potes, tem um monte delas e a mania de levar umas quantas para o palco e tocar várias na mesma música.
Poderia dizer-se dele que tem um bocadinho a mania de complicar mas, no meio das muito intrincadas canções dos Yes, cá para mim acho que não há ali uma nota que esteja a mais. São opiniões.
Na verdade, também há alturas em que lhe dá para a solidão e, volta e meia, lá sai uma guitarrada das clássicas. Tocada numa guitarra de cordas de aço (se alguém estiver abonado é uma destas que eu quero, se faz favor), a coisa soa diferente do comum das músicas para guitarra clássica e é assim que a gente gosta.

A musiquinha que aqui fica por uns dias saíu no álbum Fragile de 1972 mas esta versão é do Yessongs, álbum ao vivo do ano seguinte. Tem algumas diferenças em relação ao original (não muitas) porque o senhor ou estava bem disposto naquele dia ou tinha feito bem o aquecimento e decidiu pôr uns dedinhos a mais na coisa.

domingo, 27 de março de 2005

Beck is back!


Foto: Beck.com

Pois parece que o nosso amigo Beck Hansen decidiu adoptar intervalos de três anos entre os discos que edita.
Tal como com "Midnight Vultures" que se seguiu ao calmo "Mutations", este seguimento do melancólico "Sea Change", de seu nome "Guero", é um disco bem batido, menos "princiano" do que "Vultures", quase como um regresso aos tempos de "Odelay" novamente com a ajuda dos Dust Brothers na produção.
Sendo verdade que prefiro os discos mais calmos e menos "tecnológicos" de Beck ( o "One foot in the grave" é fabuloso) não posso deixar de gostar muito deste (a bem dizer, gosto de todos).
A mistura de Rock e pseudo-"Hip-Hop" com slide guitar, guitarra acústica e harmónica foi o que me fez gostar de Beck no início da sua carreira e a maneira como ele continua a misturar tudo isto com outros tipos de música usando letras corrosivas e bem humoradas continua a impressionar e surpreender como quando, por exemplo, mistura uma cadência quase bossa-nova com um ambiente sonoro apontado bem a Oriente.
Em resumo, mais um daqueles álbuns de Beck que se tornam uma descoberta permanente em cada audição durante uns tempos. Vou levá-lo para o Alentejo!
Para ouvir fica "Girl", um dos melhores temas do álbum (para mim e neste momento, claro) e que apresenta uma introdução que faz lembrar o português Gomo (não, o rapaz não tem só aquela música que passa aí nas rádios e nos anúncios).

domingo, 20 de março de 2005

Anos 70 (parte II)



Banda do Casaco

Não se pode falar de boa música portuguesa dos anos 70 sem mencionar a Banda do Casaco.
Tendo por núcleo principal António Pinho, Nuno Rodrigues e Celso de Carvalho, por aqui passaram algumas dezenas de músicos que derivaram para as mais variadas áreas da música. Falando apenas de alguns dos mais conhecidos, posso referir nomes como Armindo Neves, Tó Pinheiro da Silva, Cândida Branca-Flor, Gabriela Schaaf, Né Ladeiras, Zé Nabo, Concha, Carlos Zíngaro, Rão Kyao, etc.
Por artes deste nosso estranho país houve discos da Banda que nunca foram editados em CD, com a agravante de se terem perdido os originais das gravações, por exemplo de "Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos", cuja capa está aí em cima e do qual podemos ouvir o tema de abertura, apesar da "batata frita" própria da gravação a partir do vinil. Mesmo assim, achei que valia a pena.

A Banda do Casaco acabou em 1984 depois de cerca de dez anos de "maluquice", imaginação, coragem para arriscar e, sobretudo, boa música.

segunda-feira, 14 de março de 2005

Tony Rice


Foto: Tony Rice

No meio de toda a música que gosto e das várias formas em que se apresenta, há um instrumento em especial que sempre me tocou mais do que os outros: a guitarra acústica.
Seja de que tipo for, clássica, folk, jazz, cordas de aço, de nylon, de tripa...

Uma das características fundamentais deste tipo de instrumento é a variedade de sons que se podem tirar dele, seja pelo tipo de guitarra, pelo material com que é feita, pelas cordas que se usam, pela maneira como se toca... as combinações possiveis são quase infinitas.

É claro que, no que respeita a músicos, tenho os meus favoritos. Por exemplo, Neil Young, Steve Howe (dos Yes), Ian Anderson (dos Jethro Tull), José Peixoto, Egberto Gismonti, Steve Hackett (ex-Genesis) e Tony Rice (para citar só alguns e falando apenas na vertente guitarra acústica, já que alguns destes tocam outros instrumentos).

Tony Rice é um músico muito reconhecido e requisitado nos EUA e o seu "raio de acção" estende-se do Bluegrass mais puro até ao Jazz, passando pelo folk, pelo "New Grass", "New Acoustic Music" e todos os estilos que os americanos têm a mania de inventar pelo meio, dependendo de com quem toca e do que lhe apetece fazer na altura.
Se é verdade que nem tudo o que faz me agrada (a parte mais chegada ao Country não me atrai), é a maneira como toca e o som que consegue tirar do instrumento que me fascina. A guitarra tem sempre um som cheio e agradável ao ouvido e a técnica é tão perfeita que, por vezes, parece que os dedos mal tocam as cordas dando ao ouvinte uma sensação de facilidade que, garanto-vos eu, é pura ilusão. A isto junta-se uma capacidade de improvisação fora do comum e uma dose de humildade que lhe permite, apesar da qualidade que tem, nunca ter a tentação de sobrepôr o músico à música que toca.

Fica aqui num dueto com John Carlini (outro excelente guitarrista) tocando uma composição de Dave Grusin (o pessoal do Jazz sabe bem quem é). Para quem ouve em estéreo, Rice está do lado esquerdo e Carlini do lado direito. O ficheiro é um bocadinho pesado mas achei que valia a pena ouvir a coisa com a qualidade que os músicos merecem.

sexta-feira, 11 de março de 2005

Anos 70 (parte I)



Os anos 70 foram, para mim, a década das descobertas a nível musical (e não só, mas o resto não interessa para aqui). Tenciono voltar a falar das coisas que fui descobrindo por estes anos em que a minha curiosidade adolescente, juntamente com o ambiente geral que se vivia na altura, a rádio diferente que se fazia e os amigos com quem "trocava cromos" foram construindo a "peça" que ainda hoje sou.

Há cerca de dois anos, caiu-me em cima (e isto é quase literal) um livro chamado "Trovante por detrás do palco" do Manuel Faria (ex-músico do Trovante).
Ao longo do livro, escrito como se de uma conversa se tratasse, sem pretensões literárias ou de "estilo", fui recordando episódios da altura e, curiosamente, completando partes que sempre tinham ficado como interrogações ou corrigindo outras que, vistas de fora, me tinham dado uma imagem um pouco diferente.
É engraçado, por exemplo, descobrir a insegurança antes de entrar em palco de um grupo que uma vez lá em cima, e visto da plateia, me parecia ter o controlo completo das operações (somando 2+2 acabei por me ver a mim uns anitos mais tarde, mas com muito menos sucesso...).
Não contando mais nada para não estragar a história, aconselho este livro a todos os que gostavam de Trovante e aos que, não gostando, sentem uma certa curiosidade pelo mundo da música visto de dentro.

A canção que fica aqui a tocar (até ao próximo post) foi a primeira que ouvi do Trovante mas, para além disso, faz parte do monte de coisas por que passamos e que, por qualquer razão que não sabemos (ou talvez até saibamos) se tornam"as músicas da nossa vida".
Tenho muitas outras mas esta é certamente uma delas.
Fica aqui para a pamina que falou deles e também para a "misca" (se cá vier).