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sábado, 17 de janeiro de 2009

Pequena "entrevista" #25... Luiz e a Lata

Sejamos francos: o tipo de música que Luiz e Lata tocam não é dos meu preferidos e acho o nome escolhido particularmente infeliz. Isso não me impede, no entanto, de admitir que os músicos que compõem a banda são muito bons e que a música está muito bem feita. Tenho mesmo a convicção de que, bem divulgada, a música de Luiz e a Lata tem potencial para agradar a muito, mesmo muita gente. Embora não a ache por aí além inovadora (quem disse que tinha de ser?), há ali pormenores muito bem trabalhados que lhe dão um um ar fresco e diferente da maior parte das coisas que se ouvem por aí. As canções estão muito bem compostas e a produção é cuidada, o que vai sendo cada vez mais raro por cá. A inclusão de instrumentos em contextos diferentes do habitual e as colaborações exteriores escolhidas a dedo e utilizadas a preceito só ajudam a um bom resultado final.

No fim disto tudo, dá para perceber que, mesmo não sendo adepto do estilo, já ouvi várias vezes o que está a tocar no MySpace da banda e que não o fiz sem tirar prazer do facto, que eu posso ter muitos defeitos mas um deles não é a mania de andar às cabeçadas à parede. Vão lá ouvir. Há aí alguns de vocês que vão gostar, de certeza.

Entretanto, enquanto vão e não vão, podem ler aqui as respostas do Luiz Caracol às perguntas do costume:


1 - Qual o principal requisito para se vencer na música em Portugal?

Resposta: Acho que é um conjunto de talento, trabalho e alguma sorte.


2 - Qual o melhor ambiente para se evoluir musicalmente?

Resposta: Acho que é um misto entre o estudo, o estúdio e a estrada.


3 - Quando é que se consegue ir tocar às estações de televisão sendo pago por isso?

Resposta: A questão é que as tv's já pagaram aos artistas para que eles fossem aos seus programas, agora é que dizem que lhes estão a oferecer promoção e visibilidade, e que isso por si só é suficiente para que os artistas lá vão e queiram continuar a ir… E como os artistas e as editoras aceitam, duvido que voltarão a pagar algum dia...


4 - Se os músicos que cantam em português têm sucesso no estrangeiro, porque é que os que cantam em Inglês não têm?

Resposta: Acho que isso também depende da área e do estilo em que se canta.
A grande maioria da música cantada em português que tem sucesso lá fora, é cariz tradicional ou com alguma influência de música de raiz portuguesa.
Em outras áreas mais pop, mais rock, ou sem qualquer ligação à cultura de raiz nacional, se calhar é mais fácil cantar-se em inglês para que chegue além fronteiras... Mas isso também não quer dizer que se chegue…



5 - E porque é que nem uns nem outros têm sucesso em Portugal?

Resposta: Não sei se é bem assim...
Alguns até têm algum sucesso por cá, apesar do mercado ser pequeno.
Noutros casos pode ter a ver com vários factores, como a falta de divulgação e promoção da música em questão, ou ainda porque não conseguiram atingir um numero suficiente de pessoas para que pudessem ser sucesso, não querendo isso dizer que não tenham ou façam música com qualidade para o ser.



6 - De quem é a culpa da falta de visibilidade da música portuguesa?

Resposta: Talvez seja um pouco de todos os intervenientes, apesar de achar que grande parte da culpa ainda é o governo que a tem, pela falta de importância e apoio que dá à música e cultura nacionais.


7 - Como é que o problema se resolve?

Resposta: Se calhar com uma lei de protecção à música e cultura nacionais, como têm os espanhóis e os franceses, e aí se calhar já teríamos mais visibilidade e reconhecimento.


8 - Os discos "sacados" na net prejudicam os músicos?

Resposta: Sim e não.
Se forem “sacados” de forma legal só ajudam.
Se for de forma ilegal, não tanto, apesar da divulgação que possam ter, e de isso ajudar a que haja mais gente nos concertos e a conhecer os projectos.



9 - Qual foi o último disco que adquiriste/adquiriram?

Resposta: O álbum “Bairro” da fadista Raquel Tavares.


10 - Qual foi a tua/vossa última descoberta musical?

Resposta: Um grande canto/autor uruguaio, chamado Jorge Drexler.






sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Blues é festa? Ah pois é!

"E volto a pensar nas quantidades infinitas de boa música que perdemos ao longo das nossas vidas apenas porque há gente que acha que pode escolher pelos outros..."

Isto escrevia eu há mais de três anos ao tomar conhecimento da saída do álbum "À Bolina" do Rui Azul. De então para cá fui desafiado para vários concertos mas, curiosamente, de então para cá nunca fui ao Porto e o Rui nunca veio tocar a Lisboa, por isso nunca calhou.

Mas eis que, segundo o próprio, ao fim de 15 anos (!!!), o Rui Azul veio finalmente a Lisboa. Quinze anos... Ou temos um país grande demais ou passa-se algo de estranho na produção cultural em Portugal.

Aberrações culturais à parte, o convite chegou do CCB para o ciclo "Jazz em Dose Dupla" em que, às quintas-feiras, de Janeiro a Abril, um músico português e um estrangeiro se juntam para dar música ao pessoal. E ainda por cima à borla! Sim, algo escapou à aberração (é pena é terem de ser só dois, obviamente para sair mais barato, mas pronto...). Sendo que Rui Azul é o músico português (sim, pelo que se escreveu antes poderia existir a dúvida), o convidado estrangeiro (mas já quase meio-tuga) foi, compreensivelmente, Wolfram Minnemann, o companheiro de estrada de longa data, para uma sessão de Blues a voz, piano e sax.

Sem grande coisa para fazer (a zona do CCB a partir do fim da tarde é uma tristeza com "M" grande) cheguei bastante cedo e ainda cheguei a temer pelo êxito da iniciativa quando, a menos de trinta minutos da hora marcada, a sala se encontrava quase vazia mas acabei por perceber que eu é que estava um pouco fora. A verdade é que o "auditório" quase encheu em quinze minutos (e continuou a encher já com o concerto em andamento, não percebo esta gente... adiante...). Os músicos entraram com alguns cuidados (como que estudando o "adversário") mas, a pouco e pouco, foram construíndo um ambiente descontraído e casual ao jeito de "Blues-bar" e aumentando o passo até acabar em autêntica festa. Não fora o "encolhimento" do público (não sei se por ser lisboeta, se por ser "gente séria" ou pela percentagem de "debutantes"), com medo que "não fique muito bem" pedir mais, e aquilo não parava por ali.

Tudo bem. No fim os músicos estavam esgotados mas radiantes. O público desapareceu num ápice (por falar nisso, também o Minnemann...) mas o Rui Azul não se escusou a breves momentos de convívio, espalhando simplicidade e simpatia (e não só) por quem ficou por ali mais um pouco.

O ciclo "Jazz em Dose Dupla", parece estar calhado ao sucesso (e não só por ser à borla) mas alguns melhoramentos no "auditório" não cairiam mal. Uma outra disposição da "plateia" evitaria a necessidade de ter pessoas sentadas no chão gelado e a cobertura da janela por trás do palco daria com certeza muito maior conforto aos músicos. Quanto ao pessoal que vai lá fora ao cigarrito, olha... aguentem-se!


segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Pequena "entrevista" #24... Mike Bramble

O Mike Bramble é um músico de Leiria (sim, aquilo tem por lá músicos que até ferve) em princípio de carreira, para contrastar um pouco com os "veteranos" que por aqui passaram nas últimas entrevistas. Segundo o próprio, o Mike encontra-se neste momento concentrado na composição de canções e na sua divulgação online, deixando as preocupações de produção e edição para quando a coisa se proporcionar. É uma opção como outra qualquer, pelo menos dá-lhe para já alguma visibilidade e acesso a críticas e aos sempre necessários elogios e incentivos. Não sendo o meu tipo de música favorito, encontra-se por ali alguma qualidade, para já mais audível no trabalho de guitarra e na própria composição das canções. Venha o necessário "polimento" de uma boa produção e parece-me um projecto com os atributos necessários para partir para uma boa carreira musical (dentro dos habituais condicionalismos do país, claro). Haja coragem e inspiração.

Eis as respostas do Mike Bramble:


1 - Qual o principal requisito para se vencer na música em Portugal?

- Um curso de música
- Um curso de marketing
- Um curso de Inglês
- Um curso de modelo
- Uma grande "lata"

Resposta: Penso que em qualquer área se deve ter bases mínimas para exercer a actividade com alguma coerência. Mas, curso de modelo!?!?!... não é preciso para nada no mundo da música.


2 - Qual o melhor ambiente para se evoluir musicalmente?

- O conservatório
- Uma escola de Jazz
- A garagem
- Um grupo de amigos que goste de ouvir todos os tipos de música
- Frequentar a maior quantidade de concertos possível

Resposta: Epa, geralmente as garagens são frias e escuras... Os conservatórios em Portugal também não têm muito melhores condições, mas faz-se por lá umas coisas giras... Uma escola de Jazz, isso soa a coisa moderna, há-de ser bom... Amigos, sempre... Concertos, Amigos e Chá de Cevada... Paciência, Dedicação e Muita Paixão pela Música.


3 - Quando é que se consegue ir tocar às estações de televisão sendo
pago por isso?

- A partir da edição do primeiro disco
- Depois do primeiro disco de ouro
- Quando lá arranjas um amigo
- Quando consegues "meter" uma música na banda sonora de uma novela
- Quando já não precisas da televisão para nada

Resposta: As novelas fazem autênticos milagres... Amigos, sempre... Quando não se precisa da televisão para nada vai-se ao Cash Converts, também dá uns trocos... Mas seguramente, quando mudares o apelido para Carreira.


4 - Se os músicos que cantam em português têm sucesso no estrangeiro,
porque é que os que cantam em Inglês não têm?

- Tem a ver com a música que se faz e não com a língua em que se canta
- Porque no segundo caso os estrangeiros conseguem perceber as letras
- Porque a música é igual à deles, mas com pior pronúncia
- É uma questão de atracção pelo "exótico"
- Porque os que cantam em Português são melhores músicos

Resposta: Tem a ver com a música "exótica" que se faz e não com a língua em que se canta.


5 - E porque é que nem uns nem outros têm sucesso em Portugal?

- Porque os CDs dos portugueses são mais caros
- Porque o que vem de fora é mais bem promovido
- Porque o mercado é pequeno e só consegue vender o que é bom
- Porque na televisão só há música estrangeira
- Porque os media estão comprados pelo grande capital das multinacionais

Resposta: O mercado é pequeno e só consegue vender o que for melhor promovido... mesmo não sendo bom. "Santos da terra não fazem milagres", ainda se pensa assim.


6 - De quem é a culpa da falta de visibilidade da música portuguesa?

- Dos músicos
- Das editoras
- Dos media
- Dos promotores de concertos e agentes
- Do governo

Resposta: Músicos e editoras, podemos pôr algumas culpas. Depois, é um pouco o "efeito bola de neve". Mas, se os músicos não desenvolverem um bom trabalho, as editoras pouco investem...e por ai fora.


7 - Como é que o problema se resolve?

- Com uma lei mais severa
- Com mais debates na televisão
- Com mais salas para concertos
- Com mais trabalho por parte dos músicos
- Com a ASAE a apreender tudo o que é música estrangeira nas feiras

Resposta: Com mais trabalho por parte dos músicos, sim.


8 - Os discos "sacados" na net prejudicam os músicos?

- Sim, porque são discos que o público deixa de comprar
- Não, porque fazem chegar a música a mais gente e ajuda a aumentar as vendas
- Não, porque a maior divulgação leva mais gente aos concertos
- Sim, porque as editoras, ao vender menos, apostam menos.
- No fim das contas, é "ela-por-ela"

Resposta: Sim, é muito por aí, é "ela-por-ela". A maior divulgação é quando abdicas um pouco do lucro e propocionas ao público um acesso mais fácil ao produto. E a maior divulgação leva mais gente aos concertos, isso é óbvio.


9 - Qual foi o último disco que adquiriste/adquiriram?

Resposta: Marvin Gaye - "Let's Get It On"(Deluxe Edition 1973)


10 - Qual foi a tua/vossa última descoberta musical?

Resposta: Slimmy.





domingo, 4 de janeiro de 2009

Quem é o cromo? (18)

Depois do habitual periodo de neura "festiva", este ano um pouco amenizada por alguns "stresses" laborais (nada que se compare com o que muita gente tem passado por esse país fora, felizmente para mim), cá estou eu de volta para retomar a actividade do blogue. Ainda há algumas entrevistas por publicar (peço desculpa pelo atraso aos entrevistados), há comentários e críticas a fazer, mais alguns passatempos por inventar... enfim, logo se vê onde isto vai dar (a vantagem é que, se por acaso abrir falência, não deixo ninguém no desemprego).

O primeiro cromo do ano pode ser muito fácil ou muito difícil. Tudo depende de como olharem para ele à primeira. Mas isso já não é novidade, como se tem vindo a perceber ao longo destes meses que o jogo já leva. Sendo assim, boa sorte e olhinhos (e já agora cabeças - salvo seja) bem abertos.






E mais uma vez o Nuno chegou aqui e limpou o ponto. Os outros que não desanimem, que ainda há muito para jogar.

E, para não haver dúvidas de que o senhor que aqui está é o Pedro Burmester, aqui fica a foto:






segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Pequena "entrevista" #23... Realejo

Os Realejo são, há muitos anos, uma das minhas bandas favoritas dentro do "universo" da música de raíz tradicional portuguesa. Já aqui os divulguei há três anos atrás e coloquei o primeiro disco deles (Sanfonia) numa lista de 60 álbuns para mim fundamentais. O último álbum que lhes conheço é o Cenários de 1998 e dizem-me os próprios que há um disco pronto para sair há quatro anos. Será que vai demorar muito mais?

Para quem gosta de boa música, vale bem a pena a visita ao MySpace da banda e, já agora, procurar por aí os discos.

E agora vamos ao assunto do post, eis as respostas dos Realejo:
(não vieram respostas para as duas últimas)


1 - Qual o principal requisito para se vencer na música em Portugal?

- Um curso de música
- Um curso de marketing
- Um curso de Inglês
- Um curso de modelo
- Uma grande "lata"

Resposta: Um curso de marketing


2 - Qual o melhor ambiente para se evoluir musicalmente?

- O conservatório
- Uma escola de Jazz
- A garagem
- Um grupo de amigos que goste de ouvir todos os tipos de música
- Frequentar a maior quantidade de concertos possível

Resposta: Um grupo de amigos que goste de ouvir todos os tipos de música


3 - Quando é que se consegue ir tocar às estações de televisão sendo pago por isso?

- A partir da edição do primeiro disco
- Depois do primeiro disco de ouro
- Quando lá arranjas um amigo
- Quando consegues "meter" uma música na banda sonora de uma novela
- Quando já não precisas da televisão para nada

Resposta: Quando já não precisas da televisão para nada


4 - Se os músicos que cantam em português têm sucesso no estrangeiro, porque é que os que cantam em Inglês não têm?

- Tem a ver com a música que se faz e não com a língua em que se canta
- Porque no segundo caso os estrangeiros conseguem perceber as letras
- Porque a música é igual à deles, mas com pior pronúncia
- É uma questão de atracção pelo "exótico"
- Porque os que cantam em Português são melhores músicos

Resposta: Tem a ver com a música que se faz e não com a língua em que se canta


5 - E porque é que nem uns nem outros têm sucesso em Portugal?

- Porque os CDs dos portugueses são mais caros
- Porque o que vem de fora é mais bem promovido
- Porque o mercado é pequeno e só consegue vender o que é bom
- Porque na televisão só há música estrangeira
- Porque os media estão comprados pelo grande capital das multinacionais

Resposta: Porque os media estão comprados pelo grande capital das multinacionais


6 - De quem é a culpa da falta de visibilidade da música portuguesa?

- Dos músicos
- Das editoras
- Dos media
- Dos promotores de concertos e agentes
- Do governo

Resposta: Do governo


7 - Como é que o problema se resolve?

- Com uma lei mais severa
- Com mais debates na televisão
- Com mais salas para concertos
- Com mais trabalho por parte dos músicos
- Com a ASAE a apreender tudo o que é música estrangeira nas feiras

Resposta: Investir na Educação


8 - Os discos "sacados" na net prejudicam os músicos?

- Sim, porque são discos que o público deixa de comprar
- Não, porque fazem chegar a música a mais gente e ajuda a aumentar as vendas
- Não, porque a maior divulgação leva mais gente aos concertos
- Sim, porque as editoras, ao vender menos, apostam menos.
- No fim das contas, é "ela-por-ela"

Resposta: Não, porque fazem chegar a música a mais gente e ajuda a aumentar as vendas





terça-feira, 16 de dezembro de 2008

É entrar, senhorias!

O Charlatão

Na ruela de má fama
faz negócio um charlatão
vende perfumes de lama
anéis de ouro a um tostão
enriquece o charlatão

No beco mal afamado
as mulheres não têm marido
um está preso, outro é soldado
um está morto e outro ferido
outro em França anda perdido

É entrar, senhorias
a ver o que cá se lavra
sete ratos, três enguias
uma cabra abracadabra

Na ruela de má fama
o charlatão vive à larga
chegam-lhe toda a semana
em camionetas de carga
rezas doces, paga amarga

No beco dos mal fadados
os catraios passam fome
têm os dentes enterrados
no pão que ninguém mais come
os catraios passam fome

É entrar, senhorias
a ver o que cá se lavra
sete ratos, três enguias
uma cabra abracadabra

Na travessa dos defuntos
charlatões e charlatonas
discutem dos seus assuntos
repartem-se em quatro zonas
instalados em poltronas

P'rá rua saem toupeiras
entra o frio nos buracos
dorme a gente nas soleiras
das casas feitas em cacos
em troca de alguns patacos

É entrar, senhorias
a ver o que cá se lavra
sete ratos, três enguias
uma cabra abracadabra

Entre a rua e o país
vai o passo de um anão
vai o rei que ninguém quis
vai o tiro de um canhão
e o trono é do charlatão

Entre a rua e o país
vai o passo de um anão
vai o rei que ninguém quis
vai o tiro de um canhão
e o trono é do charlatão

É entrar, senhorias
a ver o que cá se lavra
sete ratos, três enguias
uma cabra abracadabra

É entrar, senhorias
a ver o que cá se lavra
sete ratos, três enguias
uma cabra abracadabra

É entrar, senhorias
a ver o que cá se lavra
É entrar, é entrar
É entrar, senhorias
É entrar, é entrar
É entrar, senhorias
É entrar, é entrar
É entrar, senhorias
...


"O Charlatão"
Artista: José Mário Branco
Álbum: Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades



segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Quem é o cromo? (17)

Ora então, continuando, cá está mais um cromito para adivinhar. Este também não me parece muito difícil, mas logo se vê. Façam o favor de opinar.




Ora esta saiu à Laura, que é para manter a coisa renhida. Cá está a Sheryl Crow original:





terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Pequena "entrevista" #22... André Fernandes

Do André Fernandes falei aqui há cerca de dois meses, a propósito da aquisição do álbum "Cubo" de que, aliás, cada vez gosto mais e continuo a recomendar. Cópias não faço. Peçam a alguém que vos dê no Natal. Ao menos que essa "coisa" sirva para algo de bom (sim, estou a entrar naquela época).

Sei que o André já passou por aqui para ler umas coisas, para além de me ter enviado as respostas à entrevista do costume:


1 - Qual o principal requisito para se vencer na música em Portugal?

Resposta:
- Depende do que é música para o músico em questão. No que eu considero musica: Talento, trabalho, humildade e perseverança.


2 - Qual o melhor ambiente para se evoluir musicalmente?

Resposta:
- Frequentar a maior quantidade de concertos possível.


3 - Quando é que se consegue ir tocar às estações de televisão sendo pago por isso?

Resposta:
- Não faço ideia nem quero saber.


4 - Se os músicos que cantam em português têm sucesso no estrangeiro, porque é que os que cantam em Inglês não têm?

Resposta:
- Tem a ver com a música que se faz e não com a língua em que se canta
- Porque a música é igual à deles, mas com pior pronúncia
- É uma questão de atracção pelo "exótico"



5 - E porque é que nem uns nem outros têm sucesso em Portugal?

Resposta:
- Isso não é verdade.


6 - De quem é a culpa da falta de visibilidade da música portuguesa?

Resposta:
- Das editoras
- Dos media
- Dos promotores de concertos e agentes
- Do governo



7 - Como é que o problema se resolve?

Resposta:
- Agentes bons, apoio e orgulho do estado, interesse dos promotores.
Resposta:



8 - Os discos "sacados" na net prejudicam os músicos?

Resposta:
- Sim, porque são discos que o público deixa de comprar
- Não, porque a maior divulgação leva mais gente aos concertos



9 - Qual foi o último disco que adquiriste/adquiriram?

Resposta:
- Venetian Snares "Chocolate Wheelchair"


10 - Qual foi a tua/vossa última descoberta musical?

Resposta:
- Venetian Snares




sábado, 6 de dezembro de 2008

Quem é o cromo? (16)

Bom, depois de quase uma semana de "baixa", cá estou eu, apesar de ainda "convalescente", a zelar para que não vos falte nada, e não vos faltar nada é terem umas pequenas entrevistas para ler e uns cromos para adivinhar. A entrevista chega mais logo mas o cromo fica já aqui:




Pois o senhor, tal como disse o Mário, chama-se David Gilmour e foi guitarrista dos Pink Floyd. O Nuno continua à frente mas a Laura e o Mário tratam de não o deixar ganhar muito avanço. Entretanto, aqui fica a foto do cromo, antes de ficar, como hoje o conhecemos, parecido com uma tartaruga das ilhas Galápagos:




segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Pequena "entrevista" #21... Luís Fernando

O Luís Fernando é mais um dos que cá andam há muitos anos, mais um dos bons músicos deste país. Ficou conhecido na altura do seu projecto com a Adelaide Ferreira e hoje é um dos excelentes instrumentistas que acompanham o Luís Represas ao vivo. Pelo meio (e ao mesmo tempo) tocou com mais um monte de gente, produziu alguns discos de outros músicos e (há quem não saiba) chegou a integrar o gupo Trovante entre a saída do João Gil e o fim das actividades da banda.

Luís Fernando nunca editou um álbum em nome próprio (diz que nunca sentiu essa necessidade) mas está a pensar em fazê-lo em breve. O que se ouve no Myspace encaixa no tipo de música a puxar para o virtuosismo que normalmente ouvimos dos bons guitarristas (tipo Satriani ou Steve Vai - Já ouviram o gonçalo Pereira) mas, no caso do Luís Fernando, com o percurso que tem, pelas diferentes experiências musicais por que passou e até pelo que se pode ler na entrevista acho que, quando for a hora certa, vai sair dali qualquer coisa de diferente.

E como um bom artista, com muita tarimba e, basicamente boa pessoa, O Luís não se "esquivou" e aqui fica mais uma série de respostas comprovadas pela experiência:


1 - Qual o principal requisito para se vencer na música em Portugal?

- Um curso de música
- Um curso de marketing
- Um curso de Inglês
- Um curso de modelo
- Uma grande "lata"

Resposta:
Ter vontade, muita muita vontade porque é de facto complicado... Estar preparado para enfrentar adversidades absurdas, não só no campo económico, mas também as flutuações imprevisíveis do mercado, onde frequentemente o que hoje é, amanhã já não é MESMO...


2 - Qual o melhor ambiente para se evoluir musicalmente?

- O conservatório
- Uma escola de Jazz
- A garagem
- Um grupo de amigos que goste de ouvir todos os tipos de música
- Frequentar a maior quantidade de concertos possível

Resposta:
Ter alguma “escolaridade” mesmo que básica, é sempre importante seja em que campo musical for.
Praticar e tocar com outros músicos de áreas diferentes também é essencial e ter a mente aberta a outros estilos musicais mesmo que aparentemente não sejam a “nossa-onda”.



3 - Quando é que se consegue ir tocar às estações de televisão sendo pago por isso?

- A partir da edição do primeiro disco
- Depois do primeiro disco de ouro
- Quando lá arranjas um amigo
- Quando consegues "meter" uma música na banda sonora de uma novela
- Quando já não precisas da televisão para nada

Resposta:
Tem dias... As tv’s acham mais importante gastar dinheiro em cenários do que em música, mas usam-na como parte integrante dos programas, portanto é um processo perverso e abusivo, mas os músicos também têm alguma responsabilidade nisso, por falta de algum tipo de união (sindical ou o que for...) que imponha regras, como existe mundo fora.
Quando raramente há cachet pago pelas tv's, é ridiculamente baixo e ultimamente são as editoras que pagam essas aparições com valores igualmente ridículos e geralmente essas verbas só são disponibilizadas a Artistas com algum nome na praça e que fazem força para que tal aconteça...



4 - Se os músicos que cantam em português têm sucesso no estrangeiro, porque é que os que cantam em Inglês não têm?

- Tem a ver com a música que se faz e não com a língua em que se canta
- Porque no segundo caso os estrangeiros conseguem perceber as letras
- Porque a música é igual à deles, mas com pior pronúncia
- É uma questão de atracção pelo "exótico"
- Porque os que cantam em Português são melhores músicos

Resposta:
Do que tenho ouvido do pessoal que canta em inglês, nota-se muito a colagem ás influencias directas e são grandemente no domínio “pop”. Suponho que por essa falta de originalidade não são levados muito a sério...


5 - E porque é que nem uns nem outros têm sucesso em Portugal?

- Porque os CDs dos portugueses são mais caros
- Porque o que vem de fora é mais bem promovido
- Porque o mercado é pequeno e só consegue vender o que é bom
- Porque na televisão só há música estrangeira
- Porque os media estão comprados pelo grande capital das multinacionais

Resposta:
Até há alguns casos de sucesso, uns mais efémeros que outros...


6 - De quem é a culpa da falta de visibilidade da música portuguesa?

- Dos músicos
- Das editoras
- Dos media
- Dos promotores de concertos e agentes
- Do governo

Resposta:
Depois de gravares um disco e de teres aplicado toda a tua energia e criatividade, seja ela boa ou má, goste-se ou não, e o entregas a uma editora, todo o processo que vem a seguir foge-te completamente das mãos...
Desde a incompetência longínqua das editoras em promover eficazmente os discos, aos entraves que os media arranjam para te bloquearem ou dificultarem o acesso com justificações inacreditáveis, estás totalmente dependente destes moinhos de vento...
Quando dois canais de TV e algumas rádios e jornais pertencem a dois grupos multimedia poderosos, se gravas para um, arranjas problemas com o outro... é assim em muitos casos...
Culturalmente, desde o tempo do Salazar que os governos encaram a Arte como uma excentricidade de uns malucos que se fartam de ganhar dinheiro e passam o dia sem fazer nada...



7 - Como é que o problema se resolve?

- Com uma lei mais severa
- Com mais debates na televisão
- Com mais salas para concertos
- Com mais trabalho por parte dos músicos
- Com a ASAE a apreender tudo o que é música estrangeira nas feiras

Resposta:
Debates e leis tem havido e muito pouco ou nada aconteceu... o grande problema é a mentalidade.


8 - Os discos "sacados" na net prejudicam os músicos?

- Sim, porque são discos que o público deixa de comprar
- Não, porque fazem chegar a música a mais gente e ajuda a aumentar as vendas
- Não, porque a maior divulgação leva mais gente aos concertos
- Sim, porque as editoras, ao vender menos, apostam menos.
- No fim das contas, é "ela-por-ela"

Resposta:
Evidente que sim! Ao “sacares” um disco na Net, um grande numero de intervenientes nos discos ficam a perder dinheiro que lhes era devido, compositores, músicos, cantores, etc...
Agora as editoras ainda não entenderam a importância que a Net tem. Como estão em total pânico, o 1º impulso é policial, fechar sites, descobrir os IPs dos utilizadores e prende-los, etc... quando deveriam regular-se pelo lema do “junta-te a eles”.
Hoje em dia o processo físico de comprar CDs em lojas é cada vez mais escasso, se assim se pode dizer... Por muito discutível que possa ser, geralmente num disco nem todos os temas são do agrado geral, portanto em vez de gastar 20 ou 30€ num CD, gasto só 2 ou 3€ nos temas que de facto gosto e ponho-os no mp3.
Só é preciso que os temas dos CDs estejam largamente disponíveis em sites da especialidade, mas ao que sei, ainda falta alguma legislação e vontade das editoras para que isso seja norma vulgar porque, curiosamente, neste tipo de venda a retalho, as editoras não perdem dinheiro...



9 - Qual foi o último disco que adquiriste/adquiriram?

Resposta:
Helio Delmiro – Romã


10 - Qual foi a tua/vossa última descoberta musical?

Resposta:
O meu filhote de ano e meio que adora arrancar os potenciómetros das minhas guitarras...