sábado, 19 de fevereiro de 2022
sábado, 4 de dezembro de 2021
quarta-feira, 13 de outubro de 2021
A música do PREC, pá! #1
Nova rúbrica aqui no blogue.
A época do chamado PREC (Processo Revolucionário Em Curso) que (convencionou-se) decorreu entre 25 de Abril de 1974 e 25 de Novembro de 1975 estará para sempre envolta em polémica. Por entre as movimentações políticas, tentativas de golpes, intentonas, inventonas, ingerências estrangeiras, ocupações, saneamentos, julgamentos populares, campanhas de alfabetização e outros acontecimentos nasceu e gravou-se muita música, nem sempre com grande qualidade, mas sempre deixando transparecer o que cada artista sentia sobre o que se passava no país. Pretende-se mostrar aqui algumas "pérolas", umas mais cómicas, outras mais polémicas, algumas adaptações de músicas populares pré-existentes, alguns hinos revolucionários, até versões de canções de outras revoluções, mas todas dessa época, ou à volta dela. Vamos lá ver o que é que se arranja aí pelo tubo.
Para começar, fica aqui o Fado de Alcoentre, sobre a fuga da prisão de vários ex-agentes da polícia política do Estado Novo, a PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado). Letra de Ary dos Santos, música de Fernando Tordo, canta Fernando Tordo.
quinta-feira, 1 de julho de 2021
Das surpresas que o cinema nos traz.
É sabido que não sou grande apreciador de música eletrónica. Talvez por isso nunca tenha, até hoje, dado muita atenção à música da Surma. Até hoje, dia em que vi o filme "Snu", da realizadora Patrícia Sequeira.
E que grande banda sonora, a da Surma!
Não há dúvida de que a música certa soa muito melhor no sítio certo.
A partir de hoje vou seguir a Surma muito mais de perto.
sábado, 26 de junho de 2021
Portugal: o Rock antes do Rock #007
Tantra: À Beira do Fim.
Sobre os Tantra e sobre o percurso de Manuel Cardoso na música em Portugal, podia escrever-se um livro daqueles gordos, tal a riqueza e diversidade do que tem produzido até hoje, sem sinais de que irá parar tão cedo. No entanto, no que respeita à escrita de blogues, todos sabemos que há limites para o que se consegue que as pessoas leiam. É tudo uma questão de formatos.
No meu caso, conheci a música dos Tantra antes de os ouvir pela primeira vez, porque tinha um amigo nos escuteiros que, durante um acampamento de verão de uma semana, cantava este "À Beira do Fim" em altos berros, várias vezes ao dia. Terminado o verão, comecei por ver os Tantra num programa de televisão em que também conheci outras bandas, como os Psico ou os Perspectiva, soube da eminente edição do novo álbum "Holocausto" nas páginas da revista "Música & Som" ou no jornal "Se7e" (não me lembro bem qual) e acabei num Coliseu cheio para o concerto de apresentação do novo álbum. Para mim, que não tinha visto os Genesis em Cascais em 1975, por falta de idade, aquele género de concerto ao vivo era todo um mundo novo, uma espécie de peça de teatro com músicos ao vivo e tudo em grande: o som, as luzes, até a bateria do Tó-Zé Almeida (que mais tarde veria nos Heróis do Mar com uma bateria mínima, sinais dos tempos). As máscaras do Manuel Cardoso eram fabulosas. Ele aparecia e desaparecia, umas vezes tocava, outras não, mas as guitarras sempre asseguradas com mestria pelo Tony Moura, que eu já tinha visto nos Psico.
O Tantra eram, na altura do álbum "Mistérios e Maravilhas", onde está a versão de estúdio do "À Beira do Fim", o Manuel Cardoso (ainda antes da fase Frodo): Guitarras e vozes; Américo Luís: baixo; Armando Gama (sim, o da "Balada que te dou"): teclados e Tó-Zé Almeida, bateria e percussão. Quando os vi no Coliseu, para além da inclusão do Tony Moura na guitarra e vozes, o Armando Gama tinha sido substituído pelo Pedro Mestre e este pelo Pedro Luís (sim, o dos Da Vinci).
Estava eu então no princípio das minhas idas a concertos e aprendi cedo que os de bandas portuguesas também valiam a pena. Tempos depois vi, no mesmo Coliseu, o meu primeiro concerto da Go Graal Blues Band, mas isso é assunto para uma publicação mais à frente.
Para além do vídeo acima em que podem ver como era o "À Beira do Fim" ao vivo (junto com uma versão, penso que em sala de ensaio de "Ji" do álbum "Holocausto", deixo-vos aqui em baixo a versão completa, que tem cerca de 11 minutos, mas é uma viagem ao que se fazia, já em 1977, no prog-rock em Portugal.
quarta-feira, 16 de junho de 2021
Bluegrass em Portugal, com André Dal
O André toca banjo há cerca de 20 anos. Eu conheço o André há oito, por via das "jam sessions" (sessões de improviso) que organiza com o objetivo de divulgar o género musical e de tocar com outras pessoas, para lá dos elementos da sua banda, Stonebones & Bad Spaghetti (SB&BS), provavelmente a única banda Bluegrass em Portugal. É certo que têm havido algumas incursões no género desde o fim dos anos setenta e inícios de oitenta, protagonizadas por músicos como Jorge Palma, Mário Ribeiro, King Fishers Band ou, mais recentemente, Anaquim, mas sempre de passagem, nunca assumido como o género principal dos grupos ou artistas. Bandas assumidas de Bluegrass em Portugal, só conheço os SB&BS.
Pois então, se o André tem uma banda de Bluegrass em Portugal, porquê um disco a solo? Bom, porque o André anda há 20 anos a percorrer as jam sessions dos vários festivais Bluegrass que se realizam na Europa e nos Estados Unidos e tem colecionado amigos por esse mundo fora, que o têm apoiado e encorajado a continuar a fazer coisas dentro do Bluegrass, todos muito bons músicos e com quem o André tem muito prazer em tocar. Por essas razões e por se ter visto confrontado com uma condição física que tem vindo a prejudicar o seu domínio do banjo, decidiu o André editar a solo um disco instrumental de standards bluegrass e temas seus, tocado por ele e por todos os seus amigos espalhados pelo mundo.
Ora, apesar de o Bluegrass ser um género musical que assenta muito na interação entre os músicos durante a execução, um pouco como no Jazz, a tarefa de gravar toda aquela gente junta em estúdio apresentou-se como impossível em termos logísticos, considerando a falta de meios financeiros com que o projeto se confrontava. Optou-se pela solução de cada um dos músicos gravar a sua parte e enviar para uma mistura final. Quando ouvi esta explicação, torci o nariz e pensei: "Bluegrass à distância? Humm...", até que me chegaram os primeiros sons do single "Beyond The Tagus River" (se ainda não repararam, quer dizer Alentejo). E não é que, não só a interação entre instrumentos resulta, como ainda por cima a mistura está muito bem feita? Não vou dizer que tudo encaixa como se fosse gravado "as pickers do", mas o resultado final está muito bom.
Apresento-vos assim "Beyond The Tagus River" o primeiro álbum de Bluegrass instrumental de um músico de Bluegrass português, tocado por músicos de todo o mundo, incluindo Portugal. A música é muito boa, o trabalho está bem feito e só falta ser ouvido por toda a gente. Tem passado em várias rádios online pelo mundo fora e agora falta ser ouvido nas rádios nacionais, coisa que, sabemos todos, é um bocadinho complicado de conseguir. Mas não sei. O André nunca desiste. Estejam por isso atentos e, se quiserem comprar o disquinho, sai amanhã. Podem comprá-lo contactando o André Dal no Facebook e Instagram. Ficam aí os links e, aqui em baixo, o single de apresentação, que dá o nome ao álbum.
quinta-feira, 27 de maio de 2021
Estórias da minha estante #001
Começa aqui mais uma rúbrica neste blogue. Posso não ser das pessoas que vocês conhecem com a maior coleção de discos mas acho que, com mais de 800, entre os vários formatos, consigo ter algumas coisas para contar sobre o modo como alguns deles cá vieram parar. Nem todas terão piada. A maior parte são curiosidades que só interessam a melomaníacos como eu, mas vamos ver o que sai daqui.
A primeira história (e muitas das seguintes também) fala da dificuldade em se conseguir encontrar certos discos para comprar. Se era difícil para mim, antes de começar a trabalhar, conseguir juntar dinheiro para comprar música, muitas vezes me aconteceu ter dinheiro, andar à procura de um disco específico e ele não existir em lado nenhum. Com os estrangeiros ainda se conseguia, pedindo a alguém que fosse ao estrangeiro ou mandando vir de fora em algumas lojas de discos que tinham essa possibilidade, sendo que esta última opção fazia com que os preços subissem ao ponto de ter de estar um ano sem comprar mais nenhum. Quanto aos portugueses... se não havia, não havia. O contato direto com as editoras estava praticamente vedado ao cliente final e os donos das lojas de discos só nos sabiam responder "no armazém não há".
Estava-se no ano de 1981. Eu tinha comprado o "Chão Nosso", primeiro álbum do Grupo Trovante, alguns anos antes e nesse ano saiu o excelente e muito aclamado "Baile no Bosque", que fez do grupo um sucesso de vendas e que toda a gente passou a ter em casa. Eu sabia que, entre 1976 e 1981, o Trovante tinha editado alguns singles e descobri que havia também um álbum, chamado "Em Nome da Vida". Comecei então a procurá-lo pelas melhores lojas de discos (então chamadas de discotecas) que conhecia. Mas nada. Ninguém conhecia o disco e quem conhecia nunca tinha tido à venda, "não havia no armazém" e nem sequer sabiam qual era a editora. Dei mais umas voltas, fui a discotecas mais pequenas e acabei por descobrir, numa papelaria da CDL (editora ligada ao Partido Comunista Português), que o disco existia de facto, tinha sido editado pela própria CDL, através de uma pequena editora de música que lhes pertencia (fiquei depois a saber que se chamava "Mundo Novo"), mas que não, não iam ter à venda porque já tinha saído há três anos e de certeza que estava esgotado.
Desanimado voltei a casa para dizer ao grupo com quem costumava juntar-me para ouvir música que tinha ido procurar o disco, mas que a busca tinha terminado porque o disco deveria estar esgotado e dificilmente seria reeditado.
Estava lá nesse dia uma outra amiga nossa que tinha começado recentemente a frequentar o grupo, por razões que não interessam para esta história, e que disse de repente: "Eu conheço esse disco! A minha mãe trabalha no Comité Central do PCP e eu já lá vi esse disco à venda. Se quiseres, compro e trago-to!". Logo ali se combinou que ela faria uma visita à mãe e traria o disco para quem o quisesse comprar. No fim, arranjaram-se dois, creio eu. Um é o que aqui tenho, o outro não sei quem ficou com ele.
Os pormenores mais intrincados da estória escapam-me um pouco mas, no geral, estou certo de que foi mais ou menos assim que aconteceu.
Fica aqui uma das canções do disco, com o agradecimento ao Aristides Duarte, que entre artigos, blogues, livros e programas de rádio já fez mais pela música portuguesa do que eu poderei fazer. Este vídeo foi retirado do seu canal de YouTube, o qual aconselho a todos que subscrevam, se ainda não o fizeram.
quarta-feira, 26 de maio de 2021
Portugal: o Rock antes do Rock #006
As Cantigas Rock do Avô
Hoje, em vez de uma banda, temos mais um trabalho a solo. E de um músico que nem é conhecido por fazer parte do chamado rock português. Carlos Alberto Vidal poderá ser um nome desconhecido para muita gente mas dificilmente alguém nunca terá ouvido falar do Avô Cantigas. A carreira de Carlos Alberto Vidal atravessa vários estilos e por entre músicas de cariz mais "popular" como "Filhas da Tia Anica" e a "Cantiga do Chouriço" e outras de estilo "baladeiro", aparece, em 1976, a obra "Changri-Lá", com evidentes referências ao movimento Hippie na sua vertente mais ligada à India, que podemos encontrar também nos anos seguintes, por exemplo nos dois primeiros álbuns dos Tantra. Shangri-La é uma espécie de paraíso perdido, inventado pelo escritor James Hilton, abordando a temática da fuga para o paraíso, tema a que José Cid voltará, dois anos mais tarde, em "10000 Anos depois entre Vénus e Marte".
Quando interrogado sobre o significado de a sua Shangri-La se escrever com C e não com S, Carlos Alberto Vidal responde com boa disposição nesta entrevista a Paulo André Cecílio: «Porque errámos... Ninguém reparou que “Shangri-lá” se escreve com “s” antes da capa ir para a fábrica».
De qualquer modo, "Changri-Lá" é um bom conjunto de canções, compostas pelo próprio (exceto uma, de Nuno Pimentel) e arranjadas pelo conjunto de músicos em estúdio, entre os quais se encontrava gente como o baterista Necas (Ananga Ranga e Lena de Água e a Banda Atlândida) ou Rui Cardoso (Sindicato).
O álbum foi reeditado em vinil, em 2016, pela editora Babilónia, numa edição limitada a 300 exemplares. Desconheço se ainda existem alguns em stock ou mesmo se a editora ainda está em funcionamento.
Deixo-vos aqui a versão completa do álbum, mas podem ouvir música a música no canal de Youtube da Editora.
terça-feira, 11 de maio de 2021
Sarah Jarosz: Blue Heron Suite
Já ouviram esta maravilha que acabou de sair?
É para ouvir de uma ponta à outra sem parar e sem fazer mais nada. Parar tudo e apenas ouvir. Experimentem.
Fica aí o chamado "preview" do Spotify. Também podem ouvir no YouTube aqui.
quinta-feira, 6 de maio de 2021
Portugal: o Rock antes do Rock #005
Os Petrus Castrus são uma banda que, de uma maneira ou de outra, sempre foi aparecendo no caminho das minhas deambulações musicais mas que, por algum motivo estranho, nunca figurou na minha estante de discos. Cheguei a comprar o Ascensão e Queda na CDL, em princípios dos anos 80, mas fui obrigado a devolvê-lo porque vinha riscado e, não havendo outro exemplar, acabei por comprar outro disco (talvez o Live dos Fleetwood Mac, já não me lembro bem).
A banda Petrus Castrus formou-se em 1971 e era composta por Pedro Castro (ex-Sharks), pelo seu irmão José Castro, pelo teclista Rui Reis (ex-Plutónicos e futuro Quarteto 1111) e por Júlio Pereira (sim, o do cavaquinho) e João Seixas (ambos ex-Playboys) e até 1980, ano em que interrompeu a sua atividade, gravou, salvo erro, um single, dois EPs e dois LPs em quatro contratos com três editoras. Acresce a isto um concerto a abarrotar no Teatro Aberto em 1978, ainda antes de os Tantra esgotarem o Coliseu. Para uma época que muitos dizem anterior à existência de Rock em Portugal, parece-me que é obra.
A história dos Petrus Castrus tem vários episódios, alguns de frustração, outros de conquista; relações com pessoas ou entidades que não souberam ou não quiseram entender o projeto musical da banda e outras pessoas com a abertura e o arrojo suficientes para apostar nesta musica "estranha" com poemas sarcásticos e contestatários. O álbum "Mestre", de 1972 musicava poemas de gente como Ary dos Santos, Alexandre O'Neill, Sophia de Mello Breyner, Bocage ou Alberto Caeiro, entre outros. O álbum "Ascenção e Queda" foi um daqueles muitos partos difíceis conhecidos na música nacional. Foi apresentado à editora em 1974 e só seria editado em 1978 numa editora concorrente, tendo como produtor o músico Nuno Rodrigues, da Banda do Casaco.
Ora dizia eu que, por uma ou outra razão, os Petrus Castrus nunca tinham figurado na minha estante de discos. Até hoje. E isto porque, pelo meio das minhas pesquisas, fui dar ao site de uma loja online, que em tempos teve porta aberta em Sintra e que eu julgava desaparecida. A loja chama-se Loja do Arco e apresentava em destaque, logo na entrada, a reedição em vinil e CD do álbum "Mestre", sendo que a versão em CD era dupla e trazia o álbum de 2007, para mim até então desconhecido, "Morte Anunciada de um Taxista Obeso". Pensei: "É desta!". Encomendei no passado sábado, chegou hoje. Simples e rápido. Ninguém me encomendou a publicidade, mas sempre vos digo que a Loja do Arco tem um belo catálogo de música portuguesa. Se estiverem interessados e, como eu, não gostarem de comprar música naquela loja francesa que rebentou com as melhores lojas de discos do país, é de aproveitar.
Conclusão: já estou a ganhar com esta decisão de tentar saber um pouco mais sobre o que aconteceu na música portuguesa anterior ao "Ar de Rock". Já viram a minha sorte?
Como exemplo, deixo-vos aqui Tiahuanaco, faixa nº 9 do "Mestre".
Petrus Castrus - Tiahuanaco
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