Agenda de concertos (carregar no evento para mais informação)

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Anos 70 (10) - Area



Nunca tive pachorra para partidos políticos. Mesmo na fase logo a seguir ao 25 de Abril de 74, em que toda a gente era de "alguma coisa", apesar de ainda ter pensado aderir a um ou outro, dependendo das palavras de ordem que inventavam, nunca me decidi e assim fui ficando até a idade me dar a certeza de que afinal tinha razão (e eles encarregam-se de o demonstrar mais ou menos todos os dias).

Olhando para trás tenho ideia de algumas ocasiões em que aproveitei as borlas das campanhas de alguns partidos para ver uns concertos mas tenho de dizer que o que me proporcionou melhor música ao longo de todos estes anos foi de longe o PCP. E não foi só na Festa do Avante (apesar de também, sim).

Ainda me lembro bem de como levei na cabeça por, em 1978, ter ido ao Pavilhão dos Desportos (o Carlos Lopes por essa altura ainda ía ter de correr bastante para ganhar a placa com o nome) ver uns gajos chamados Area que, segundo se dizia, eram "apanhados dos cornos", tocavam "músicas comunas" em palco e, o mais "foleiro" de tudo, eram italianos como os "bimbos" do Festival de San Remo.

Não me importei muito, até porque os gostos musicais do resto do grupo ainda estavam na fase de "o que o meu irmão mais velho ouve é que é fixe". Eu já estava muito mais adiantado, até porque tinha frequentado umas educativas sessões musicais nas traseiras dos pavilhões do liceu. Lá fui e não me arrependi.

Não sei o que eles andam a ouvir agora (nem sequer o que a maior parte deles anda a fazer) mas eu acabei de ouvir o álbum que os Area vieram apresentar na altura: "1978 (Gli dei se ne vanno, gli arrabbiati restano!)".

O vocalista Demetrio Stratos morreu um ano depois e continua a ser uma das mais extraordinárias vozes que ouvi (e vi) até hoje. Aqui fica uma a tocar para lembrar a uns e despertar a curiosidade a outros.


"Hommage à Violette Nozières"
Artista: Area
Álbum: 1978 (Gli dei se ne vanno, gli arrabbiati restano!)



segunda-feira, 18 de junho de 2007

Nós por cá... "The Gama GT Blues Project"


Foto: The Gama GT Blues Project

Ora cá está mais uma proposta nacional.
Nascidos em 2004, os The Gama GT Blues Project cantam Blues em Português, baseados na crença de que em país de Fado é impossível não haver lugar para o Blues. Se em teoria isso pode ser verdade, na prática ainda está por demonstrar. Sim, há por aí algumas bandas de Blues mas quantas é que têm discos gravados e dessas, quantos exemplares se venderam?
Pois os "Gama GT" também gravaram um disco. É um EP em edição de autor (mais uma), e está disponível "à borla" (pois claro) no site da banda.

O som não é nada mau, mas ainda se nota muito espaço para evoluír. As letras em português são uma boa ideia e, quando se fala deste estilo de música, uma maneira de marcar a diferença. Na verdade, nunca percebi porque é que se deixou de cantar Blues em Português. Afinal o "Ar de Rock" não era, "muito principalmente" um disco de Blues? E vendeu que nem pevides!!!


"4L"
Artista: The Gama GT Blues Project



Site: http://www.gamagt.com/
Myspace: http://www.myspace.com/gamagt

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Alguém se lembra? (3)



Os LX-90 foram uma banda formada por Rui Cunha e Paulo Pedro Gonçalves (Heróis do Mar) com o baterista António Garcia (Urb, Mler Ife Dada e Heróis do Mar), o baixista Nuno Roque (grande baixista, não sei de onde veio) e o DJ Tó Pereira, hoje mais conhecido como DJ Vibe.

Para quem não faz ideia do que eu estou a falar, o som era um pop tipo Happy Mondays, mas mais rock e bastante melhor do que os drogaditos de Manchester.

O único disco saiu em 1991, chamava-se "Uma revolução por minuto", teve uma edição toda em inglês com o sugestivo nome de "One revolution per minute" e foi, do que me lembro, o melhor que se fez por cá nessa altura, na minha modesta opinião. Para além disso, tenho de vos dizer que eram uma grande banda ao vivo. Tempos depois mudaram-se para Inglaterra e, vá-se lá saber porquê, acabaram.


Fica aqui o video de Road to Redemption



...e ali ao lado

"1 RPM"
Artista: LX-90
Álbum: Uma Revolução por Minuto


Sim, eu sei que o som é um bocado roufenho mas foi o que consegui arranjar assim em pouco tempo. Desculpinha.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Nós por cá... "The Unplayable Sofa Guitar"


Foto: The Unplayable Sofa Guitar

Enquanto "Portugal" continua a comprar tudo o que venha de fora e cheire a "alternativo", bandas há em Portugal que, de tão desconhecidas, nem chegam a ser alternativas (se considerarmos que a própria palavra é sinónimo de escolha, para se escolher é preciso conhecer, certo?).

Unplayable Sofa Guitar pode até nem ser assim tão desconhecido (artigos no Blitz, um ou outro prémio...). É apenas mais uma boa banda ignorada pelas rádios portuguesas e, em sequência lógica, pelo público. Os nomes são os do produtor Paulo Miranda, de Ana Figueira e Francisco Silva (Old Jerusalem). A música tem pontos de contacto com o projecto a solo de Francisco mas soa mais crua, menos acústica, mais dramática. É outra música, igualmente boa música.
A ouvir, ali ao lado durante uns dias.


"Postcard Canyons"
Artista: The Unplayable Sofa Guitar
Álbum: Rocky Grounds, Big Sky


Sexta-feira, amigos do Mug Music ao vivo







Dilemas à parte, depois da persuasão e da contagem do tostão...
... Escolhei a festa que vos aprouver!





quarta-feira, 30 de maio de 2007

Mini-décadas...

Há pouco menos de um ano escrevi por aqui sobre a minha surpresa por, a propósito do concerto dos Strokes, se andar a aclamar os rapazitos como a banda da década ou mesmo a melhor da actualidade (da actualidade de há um ano atrás, bem entendido).

Curiosamente, menos de um ano decorrido, já há outra banda da década: "Ladies and Gentlemen, from Montreal, Quebec, The Arcade Fire".

Para além de gostar bastante mais dos Strokes do que dos Arcade Fire mesmo não achando os Strokes, por sua vez, nada de extraordinário, o que me aflige um bocado é a maneira como as décadas encolheram nos últimos tempos. Quando eu era puto e aprendia essas coisas na escola, as décadas duravam dez anos!

Ora bem, estando as coisas nestes termos, há várias hipóteses que se podem colocar para este fenómeno. vejamos então:

1- Sendo estes concertos normalmente em festivais de verão, o fenómeno terá certamente a ver com a frase que ouço várias vezes ao pessoal que continua a ir a festivais mesmo não gostando de festivais: "Eh pá, os festivais tiram-me anos de vida" (mais propriamente nove, diria eu).

2 - Considerando que, normalmente, os "fazedores" deste tipo de opiniões pertencem à classe jornalística, partindo do princípio de que não terão tirado o curso ao Domingo na Independente, poderão talvez alegar em sua defesa, como aliás tenho ouvido bastante nos últimos anos: "Pois, não tenho muito jeito para contas. Sou de Letras!"

3 - Por outro lado temos sempre a hipótese de se tratar de vulgar marketing (jura!!!). Peço desculpa por ter revelado este segredo até hoje tão bem guardado mas sim, é verdade:
- Pessoal! Andam a vender-vos opinião! E vocês compram!!!


Dito isto, ainda a propósito dos tais festivais (quantos é que são este ano?), tenho uma revelação a fazer:

- Descobri que os cartazes dos festivais são directamente proporcionais ao volume de cerveja ingerida durante os mesmos. Assim, se este ano em algum festival se conseguir atingir o bonito número de 30 mil comas alcoólicos, no ano que vem o cartaz poderá incluir todas as bandas que o vosso neurónio sobrevivente conseguir imaginar desde, claro, que se comprometam a fazer o canal de rega da Zambujeira transbordar de vomitado.



sábado, 26 de maio de 2007

Nós por cá... "Clarinetes Ad Libitum"


foto: http://www.clarinetesadlibitum.net/

Nos meus passeios pelo "myspace" em português encontrei este grupo que achei importante publicitar um pouco, já que não me parece que se trate de uma música que tenha grande divulgação. Por outro lado não são nada maus (muito pelo contrário) e isto de andar a fazer edições de autor pode desanimar quando não se vêem avanços.

Chamam-se Clarinetes Ad Libitum, tocam tudo e mais alguma coisa (desde que seja em clarinete) com umas ajudas nas percussões porque é difícil tocar clarinete e dar estalinhos com os dedos ao mesmo tempo. Têm um CD chamado "Contradanza" de que ainda só ouvi as músicas que estão no site e no "myspace". Gostei bastante do som de conjunto e acho que valem bem uma visita e a compra do disco, a ver se dá pelo menos para gravar o próximo... e o próximo... e o próximo...

Links:
Blog: http://clarinetesadlibitum.blogspot.com/
Site:
http://www.clarinetesadlibitum.net/
myspace:
http://www.myspace.com/clarinetesadlibitum

Fica aqui um pedacito que roubei do site, para despertar a curiosidade:

"Foliada de Berducido"
Artista: Clarinetes Ad Libitum
Álbum: Contradanza




quarta-feira, 23 de maio de 2007

Zappa à moda do Porto

"A Low Budget Research Kitchen leva sábado (26 de Maio de 2007) a música de Frank Zappa à oitava edição do RotaJazz - Festival de Jazz da Trofa"

A notícia vinha no semanário Sol e, curiosamente, chegou-me da estranja por via dum "emigra".

Já conhecia a Low Budget Research Kitchen por um dia ter "caído" no "myspace" deles e resolvi dar um pouco mais de atenção. Realmente o que por lá se ouve tem qualidade e, apesar da falta de um vocalista, os temas instrumentais estão bastante bem conseguidos, como aliás podem comprovar carregando na setinha do "play" aí ao lado, ou então no link acima, onde aliás estão mais três músicas além desta.
Lá para Julho parece que vêm ao Maxime. Vai na volta...

Cá mais abaixo sabia da existência dos Zappanoia mas há uns tempos que não ouço falar deles. Será que ainda existem? Tenho ideia que, pelo menos um dos visitantes deste blog, já colaborou com eles. Será que alguém me dá notícias?


"Orange County Oh No"
Artista: Low Budget Research Kitchen



quinta-feira, 17 de maio de 2007

Anos 60 (Ah pois!)

Não se sabe muito bem quantos havia, mas havia alguns. Estou a falar de músicos de rock durante os anos 60. Se agora é difícil ter visibilidade, naquela altura era muito pior. Para além do regime e do "Botas", havia ainda outros tipos de preconceito e pressão contra a música e os "conjuntos" "Yé-Yé" (expressões usadas na época), nomeadamente de alguns sectores da igreja católica (sempre prontos a proteger as "ovelhas" do que era novidade).

Mesmo assim havia artes para contornar estas "circunstâncias" e, tendo a televisão na altura uma grande componente de "programas de variedades" (adoro esta frase), foi possível a gravação de momentos como este que vos mostro aqui e de muito mais horas de música portuguesa ainda por divulgar e que estarão escondidos algures nos confins do arquivo da RTP.



O que aí podem ver é uma actuação ao vivo (com fios e tudo) dos "Sheiks" num desses "programas de variedades". Ora os Sheiks eram, nessa altura, o Carlos Mendes (sim, esse), O Fernando Chaby, O Edmundo Silva e o Paulo de Carvalho (pois, também é esse) que, além de massacrar as peles (da bateria, entenda-se), também cantava e, como se pode ver no video, "metia umas buchas pelo meio".

À escala da altura, os Sheiks eram uma excelente banda aqui ou em qualquer lado e diz-se que não "emigraram" por um triz. Como é costume, sim.
A banda (perdão, o conjunto) ficou pelo caminho mas ganharam-se dois bons cantores (perdão, três, que o Fernando Tordo também por lá passou). Já a internacionalização acabou por não acontecer, embora o Paulo de Carvalho ainda tenha feito algumas "surtidas", mas sempre foi muito dificil saltar para lá deste rectângulo à beira-mar plantado. Há coisas que não mudam, mesmo.