Agenda de concertos (carregar no evento para mais informação)

quarta-feira, 27 de setembro de 2006

... e aqui está ele!




Cá está então o André Indiana!
Muita gente conhece música dele sem saber de quem é, muitos ainda julgam que se trata de um "estranja" qualquer.
Quando ouvi pela primeira vez o "Electric Mind" (um bocadito, enfim) numa das telenovelas que por aí proliferam (seriam os "Morangos?) pareceu-me Lenny Kravitz e quando descobri que não era pensei: "Ok, um 'tuga' a imitar o Kravitz".
Foi preciso ver um concerto do rapaz na TV (não sei qual mas não foi uma das grandes) para me convencer de que havia ali "material" do bom, tanto em termos de composição como de execução, para além duma banda que não era nada má (parece que agora ainda está melhor, segundo se ouve dizer).

André Indiana poderá não ser o campeão da originalidade mas também não é, de maneira nenhuma, um imitador nem do Kravitz nem dos Black Crowes, como se diz por aí. As referências vão muito mais além até aos anos 70, onde afinal os ditos "imitados" também foram buscar a inspiração. Isso é mau?
Desde que a música seja boa, para mim é óptimo.
No primeiro álbum "Music for Nations" (o segundo "Destilled and Bottled" já saiu mas eu ainda só ouvi o single) a música aparece já surpreendentemente madura, a composição equilibrada, os instrumentos seguros e a voz firme e bem timbrada, muito bom resultado para um "puto" de cerca de 20 anos.

Como de certeza já conheciam o "Electric Mind" e agora ficaram a conhecer o "Full Moon" (era o que estava para ser adivinhado), fica aqui mais uma canção, esta para os adeptos do bom rock "de guitarras" como eu.

"I'm In Love"
Artista: André Indiana
Álbum: Music For Nations

Pois não será uma cena nova, nem "alternativa", nem interventiva, nem sequer em português, nem... nem...
Ora, deixem-se de merdas!
É música, é boa e eu gosto!

A Norte...

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Adivinha! (3)

Esta é uma contribuição do Belche.
Quem quiser, está à vontade.
Podem mandar para o mail, por uma questão de organização.

Cá vai:

Vejam se adivinham quem é este músico português:

Já se vê a luz magenta
Ontem esteve encoberto
Ri-se de te ver tão perto
Girar a massa cinzenta
E ele de sorriso aberto

Palavras onde caminhas
A primeira é pra guardar
Letra estou eu a falar
Mais do que adivinhas
Aprenderás a pensar

domingo, 24 de setembro de 2006

Versões (13)



Foi um dos primeiros LPs da minha irmã mais velha (não sei se ainda o tem), o primeiro da Joan Baez que ouvi e, ainda hoje, talvez o que gosto mais. À medida que os anos foram passando parece-me que a senhora se perdeu entre as memórias do passado interventivo e as tentativas de inovação musical, quase sempre falhadas ou de gosto duvidoso ( na minha opinião, claro). Quando passou por Cascais nos anos 80 já eu tinha passado para outras músicas e este foi talvez o único disco que me ficou, talvez por haver lá em casa, mas também por ter sido a "tirar" músicas dele que me iniciei como autodidacta da guitarra.

Conheci esta versão antes de ouvir o original "Where Have All The Flowers Gone" do Pete Seeger e até a cantava em alemão (aldrabado, claro, e às escondidas). Depois aprendi a letra original em inglês e passei a cantá-la para os amigos mas sempre tocada em "arranjo Baez". Acho que, se ainda a tocasse, ainda a tocava assim (pronto, não tão bem mas parecido). Da voz não vou falar. Da dela não é preciso, da minha é melhor não.

"Sagt Mir Wo Die Blumen Sind"
Artista: Joan Baez
Álbum: Farewell, Angelina


quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Adivinha! (2)

É do Porto este poeta
Mas não se escreve com Tê.
Foi Cão sem nome de cão
Pra nome de cão mudou,
Mas nunca ladrou, só cantou.

Hoje chega, diz Bom Dia
E não é de admirar
Se a qualquer hora do dia
Ele berrar que quer mijar.

De si diz que é bom de amar.
Falta alguém pra confirmar
Quem é este “cantador”?
Conseguem adivinhar?


Tás-me a dar música, ó Vieira!

Fechem bem as portas, não vá um dossier amarelo entrar-vos casa dentro!


quarta-feira, 20 de setembro de 2006

Duas lojitas de CDs

O Verde perguntou ali em baixo se eu não conhecia umas lojas de discos porreiras.

Considerando a minha penúria nos últimos anos, falta-me um bocado de "experiência" para saber muito sobre o assunto. Em todo o caso, deixo aqui duas. Uma porque já lá comprei coisas e outra porque me parece interessante (pelo menos vendo o site):

- CDGO (ex JoJo's Music)
Rua de Cedofeita, 509-511
4050-181 Porto

Site: http://www.cdgo.com/

Já aqui comprei algumas coisas online. O site funciona bastante bem e as entregas são, regras geral bastante rápidas. Já aconteceu não conseguirem arranjar o artigo que eu queria, mas como o site funciona com um sistema de controlo das encomendas quase em tempo real, não acontece a chatice de estarmos um monte de tempo à espera das coisas sem sabermos se se perderam.

- Prog CDs
Calçada do Carmo 36/38
1200-091 Lisboa

Site: http://www.progcds.com/

Nesta loja ainda não comprei nada porque só tive conhecimento dela há muito pouco tempo.
Trata-se de uma loja específicamente dedicada ao Rock Progressivo e estilos "afins". Pelo que se pode ver no site, a coisa promete.
Considerando que a loja de rua é em Lisboa, estou a pensar fazer uma visita um dia destes, até porque já tenho dois ou três CDzitos em mira.
Acho é que vou levar o dinheiro contado e deixar o multibanco em casa.

Se alguém por aí conhecer outras lojas que valham a pena, faça favor de dizer. Acho que já estamos todos a ficar fartos de FNACs. Ou não?

Versões (12.2) - 15 anos antes




Outra versão da mesma música, desta vez pelos Fairport Convention, em 1969.
Por esta altura, em princípio de carreira, na era BS (Before Swarbrick) e no princípio da contribuição de Sandy Denny, os Fairport não sabiam fazer discos sem lá meter umas versões do Dylan.

O interesse de voltar a tocar a mesma canção é ver como as versões são tão diferentes uma da outra, e vocês ainda não ouviram o original (pelo menos aqui).
De falta de imaginação não nos podemos queixar.

"I'll Keep It With Mine"
Artista: Fairport Convention
Álbum: What We Did On Our Holidays

terça-feira, 19 de setembro de 2006

A usual multi-inutilidade dos multiusos (por Sérgio Castro)

Aqui há tempos, o Sérgio Castro prometeu mandar um texto com algumas considerações sobre as condições acústicas dos pavilhões multiusos... e mandou. Cá está ele!
Ainda se ponderou a hipótese de o dividir em partes mas eu achei que por inteiro a coisa percebe-se melhor. Se preferiam por partes leiam só um bocado, saiam e voltem mais tarde para ler o resto. Cá vai:


Os multiusos, como o seu nome parece querer indicar, devem ser espaços com inúmeras aptidões, grande flexibilidade e, sobretudo, multifuncionais, certo?
A ser assim, um multiusos deveria poder albergar, com a mesma facilidade e eficácia, um evento desportivo, um congresso ou qualquer tipo de manifestação artística...
Huummmm!!!

Quer dizer, no ‘multiusos’ Pavilhão do Atlântico, no Parque das Nações, para citar o exemplo que se referiu neste blog há já algum tempo, devem poder conviver (ainda que em momentos diferentes, obviamente) não só produções de espectáculos de pop/rock, música clássica, folk, jazz, ópera, musicais e teatro, mas também congressos, conferencias, um jogo de basquetbol ou de andebol e um amplíssimo etcétera... ERRADO!
Quem tal crê é incauto, quem tal garante é pouco sério. Ou ambos são simplesmente desconhecedores tanto das necessidades de cada uma das atrás referidas actividades, como das limitações impostas inexoravelmente pelas leis da Física, ou mais concisamente por uma das suas mais apaixonantes disciplinas – a Acústica.

Por alguma razão o P. do Atlântico está rodeado por alguns espaços anexos, como é o caso da Sala Tejo, destinada evidentemente a eventos muito mais minoritários e onde tive recentemente oportunidade de tocar e ouvir tocar e que, justiça lhe seja feita, soa bastante bem com um espectáculo de música amplificado através de um sistema electro-acústico. Estará a Sala Tejo igualmente capacitada para um espectáculo de música sinfónica? De forma nenhuma. Estou seguro que qualquer orquestra ‘levantaria o acampamento’ poucos minutos depois de tentar atacar qualquer Overture de uma sinfonia de Verdi.
Ou seja, a reverberação é a questão.
Por exemplo, num dos extremos das necessidades, uma sala de controlo de um estúdio (regie) deve ter uma reverberação praticamente inexistente (teoria ‘non-environmet’) ou razoavelmente baixa (demais teorias que eu não comparto), com valores que oscilam entre os 250ms e os 500ms – conforme a volumetria do espaço – para além de estar livre de reflexões especulares. Só assim podem os ouvintes, normalmente o engenheiro de gravação, o produtor ou os próprios músicos, chegar a conclusões e tomar decisões. Muitas vezes confundida com a anterior, aparece a sala que alguns tipos com sorte (e finanças) têm em sua casa para escutar música por prazer e a que algumas normas (ITU, AES etc), algo desordenadamente, atribuem valores relativamente baixos de reverberação como os citados acima. Mas neste caso estamos simplesmente a falar de uma sala de escuta, onde nada se arrisca ao permitir que o espaço introduza a sua própria cor ao programa escutado, sempre que não seja em desfavor do mesmo.
Por outro lado, uma orquestra sinfónica necessita de uma reverberação da ordem dos 1,6-1,8 segundos, onde muitas das reflexões são bem vindas (nos auditórios bem desenhados, cuidadosamente previstas e provocadas) para que os músicos percebam o verdadeiro timbre do seu instrumento, ao mesmo tempo que ouvem os demais elementos da orquestra. A não ser assim, não há maestro que valha e a orquestra nem respeita o tempo nem afina. As trompas têm que tocar uma fracção de segundo antes para compensar o caminho mais longo que percorre o som do instrumento, entre que é projectado para trás e se reflecte na parede ou na concha acústica do auditório. Sem essa ajuda não se ouvem a si mesmos nem sabem por donde vai o resto da ‘banda’.

Na realidade muitos compositores de séculos passados escreveram sinfonias com a intenção clara de que fossem executadas em determinados auditórios, cujas reverberações em frequências médias oscilavam entre 1,5 e 1,8 segundos. Wagner, por exemplo, escreveu Persifal para que fosse estreada no Festspielhaus da cidade alemã Bayreuth enquanto que Berlioz sabia claramente como ia soar o seu Requiem nos Invalides, em Paris.
Quando a música Clássica cedeu protagonismo à música Romântica de Brahms, Strauss ou Ravel assistiu-se a uma nova tendência de criar auditórios com um tempo de reverberação consideravelmente superior (1,9s – 2,1s) que proporcionavam uma muito mais rica experiência tímbrica.
Entretanto, para ópera e dado que normalmente se devem entender os textos, o tempo de reverberação baixa consideravelmente, pelo menos na gama de frequências media e grave, pelo que os 1,9 segundos antes referidos seriam sobradamente exagerados para uma perfeita compreensão do libreto. As chamadas ‘Opera Houses’ costumam apresentar tempos de reverberação que podem oscilar entre os 1,24 segundos do Scala de Milão e os 1,6 segundos da Semperoper de Dresden.
Mas que se passaria então numa destas salas se agora tentássemos uma peça de música rock, samba ou qualquer outro tipo que contenha percussão com transitórios e queda rápidos? Em primeiro lugar ficariam desvirtuados os timbres dos instrumentos e a confusão gerada pela reverberação transformaria numa experiência desagradável a execução e a audição de tal peça musical.
Pelo contrário, teria J.S. Bach escrito essas notas longas das suas fugas e concertos, se não estivesse a tirar o melhor rendimento dos mais de 3 segundos de reverberação que, tipicamente apresentam as igrejas renascentistas? O resultado de interpretar tal obra, ao ar livre, por exemplo, seria uma enorme sensação de frustração, não muito distante da que sentiria um guitarrista de Heavy Metal se no momento de subir ao palco, lhe furtassem o Turbo-Overdrive.

Assim que, para não alargar mais a ‘conversa’, poderíamos concluir que com a actual tecnologia a melhor hipótese para uma sala multiusos é prepará-la acusticamente para música amplificada, com um tempo de reverberação bastante baixo (depende do volume), mas, acima de tudo o mais livre possível das tais reflexões especulares, tão indesejáveis – já que modificam enormemente o timbre original dos instrumentos e confunde o tempo rápido – e depois equipá-la com um sistema activo de reverberação, talvez ajudado por alguns painéis movíveis na zona do palco (em caso de não existir concha acústica desmontável).
Existem alguns sistemas comercialmente disponíveis, que tem dado resultados comprovadamente positivos. Não são baratos, dado que tanto os altifalantes (pistónicos ou DMLs) como os microfones, amplificadores e processadores que se utilizam nestes sistemas, devem ter uma qualidade insuperável para não desvirtuar o sinal original e, por conseguinte, não modular incorrectamente o resultado devolvido à sala.

Em jeito de conclusão, se algum dia a sala Tejo tiver que ser utilizada para a interpretação de uma sinfonia ou uma ópera, sim que há esperança de poder adequá-la para tal fim, sem modificações arquitectónicas mas com a ajuda de sistemas de reverberação processados electronicamente. Se, por outro lado, se pretende melhorar os resultados normalmente obtidos no Pavilhão do Atlântico, ou no Multiusos do SAR de Santiago de Compostela (um inconfundível exemplo de aberração acústico-arquitectónica), a única opção razoável é um acondicionamento acústico tão complexo, que os acabamentos interiores de ambos espaços sofreriam modificações tais que os respectivos arquitectos não mais reconheceriam as suas obras.
Outras actividades têm outros requerimentos mas descrevê-los tornaria este artigo imenso e provavelment ‘intragável’. A intenção foi simplesmente a de dar algumas respostas a algumas perguntas aparecidas neste blog, há alguns meses.

Sérgio Castro

domingo, 17 de setembro de 2006

Adivinha!

De ser ou não afinado
não há noção definida
mas lá na corporação
nunca nenhum apareceu
que cante melhor do que eu.

A minha voz atrevida,
Há mais de um quartel ouvida,
nunca ninguém a calou.
Não sendo eu grande rei
não vivo para lei nem grei
Quem achais então que eu sou?