Agenda de concertos (carregar no evento para mais informação)

domingo, 13 de agosto de 2006

Afinal o que é Música Portuguesa?

Ora então, afinal a que é que se pode chamar música Portuguesa?

Segundo o texto da nova lei que entrou em vigor em Maio deste ano (mas que só será de aplicação obrigatória em Novembro de 2007 para dar tempo às rádios para se adaptarem - ?!), a nova definição de Música Portuguesa é a seguinte:

(...) 2 - Para os efeitos do presente artigo, consideram-se música portuguesa as composições musicais:
a) Que veiculem a língua portuguesa ou reflictam o património cultural português, inspirando-se, nomeadamente, nas suas tradições, ambientes ou sonoridades características, seja qual for a nacionalidade dos seus autores ou intérpretes; ou
b) Que, não veiculando a língua portuguesa por razões associadas à natureza dos géneros musicais praticados, representem uma contribuição para a cultura portuguesa. (...)


Veicular a língua portuguesa basta por si, ou também a música em língua portuguesa tem de se inspirar nas suas tradições, ambientes ou sonoridades características? É que se basta, até o Beck é música portuguesa quando canta “Sou um perdedor”.

O que é que quer dizer “reflitam o património cultural português”? A frase que vem a seguir pode ser interpretada como a explicação desta?

Toda a música dos países de língua oficial portuguesa pode ser considerada música portuguesa? É que eu não me importava que o Caetano Veloso fosse.

Quais são os géneros musicais praticados que é suposto veicularem a língua portuguesa?

Como é que sabemos que a música cantada em língua estrangeira por razões associadas à natureza dos géneros musicais praticados representa uma contribuição para a cultura portuguesa?

Bom! Entrando no exemplos práticos, alguém me esclareça as seguintes dúvidas:

- A Nelly Furtado é portuguesa ou estrangeira? Se é portuguesa, quando canta em estrangeiro representa uma contribuição para a cultura portuguesa? Se é estrangeira, quando canta em português inspira-se nas suas tradições, ambientes ou sonoridades características? Nelly Furtado é música portuguesa?

- O Jazz feito em Portugal é música portuguesa? E a Maria João e o Mário Laginha? Fazem Jazz? Fazem música portuguesa? E quando fazem versões de canções pop estrangeiras? É música portuguesa ou estrangeira?

- A Floribela canta em português mas as músicas são argentinas. É música portuguesa?

- Os D’ZRT fazem versões em português das músicas que vão buscar às bases de dados estrangeiras. É música portuguesa?

- Os Moonspell, que cantam em inglês música de tradição estrangeira gravada no estrangeiro, são portugueses. É música portuguesa?

- Rui Veloso quando se chega ao fado é, com certeza, música portuguesa. E quando se chega aos Blues? Será?

- Os Xutos são música portuguesa quando cantam “A minha casinha”. E quando cantam o “N’América”?

- Os Gaiteiros de Lisboa, quando tocam música de influência galega serão música portuguesa?

- E a Brigada Victor Jara, que além de ter um nome chileno, se virou para a a música celta? Será música portuguesa?

- O Próprio Sérgio Godinho, com todas aquelas influências de Brel e Brassens, será música portuguesa?

- As músicas que Ricardo Landum faz para a Mónica Sintra e para a Ágata têm uma clara infuência da “pop-song” centro-europeia. Será música portuguesa?

- Os Santa Maria fazem euro-tecno. São música portuguesa?

- O Luís Represas, desde que esteve em Cuba e conheceu o Pablo Milanês ganhou grandes afinidades com a música latina. Será música portuguesa?

Pois! É claro que estou a exagerar. Mas também é verdade que o texto da lei deixa espaço para todas estas perguntas.
Afinal basta cumprir um destes requisitos ou têm de se cumprir todos? É que, se é para se cumprir todos, podemos sempre pôr em causa a contribuição para a cultura portuguesa e aí ninguém cumpre, ou seja, a Diamanda Galas dá-lhe para cantar uma “espécie” de fado e passa a ser música portuguesa em detrimento do David Fonseca a cantar uma versão dos Erasure. Assim sendo, passa a Diamanda na Antena3 e o David que vá lá passar na “Radio One”, se conseguir.


terça-feira, 8 de agosto de 2006

No princípio (também) era o rock!




Era assim que começava o primeiro disco do Trovante!
Até dava uns ares do "Firth of Fifth" dos Genesis.

E aquela frase:

Alto e bom som havia a raiva de rir

Já tinha ouvido mais duas na rádio. E uma entrevista.
Comprei!

"Alto e bom som"
Artista: Trovante
Álbum: Chão Nosso

Trinta anos!!!
Xiça!!!
Parabéns, pá!

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Pub à borla!

Madonna continua a facturar à custa da religião... e eles caem como patinhos!

Desta vez, Madonna aparece "crucificada" durante o concerto da nova digressão.
Não é preciso mais nada.

A Igreja Ortodoxa e o Vaticano ocupam-se da promoção.

Cuidado!
Qualquer dia já ninguém paga a agências de publicidade. Basta uma "blasfémiazita" e... Tá feito!

segunda-feira, 31 de julho de 2006

Outra vez a RTP

Não sei como é que eles conseguem, mas lá se arranjaram para fazer outro programa, supostamente de música, sem pés nem cabeça, chamado "A canção da minha vida"

"Famosos, boa disposição, música e competição são os ingredientes deste formato de puro entretenimento" , eis a definição que vem no site da televisão "pública". Se calhar, cortando os famosos, a competição, a "boa disposição" ao estilo Isabel Angelino ("ajudada" no Sábado passado pelo Carlos Ribeiro), nem mesmo assim, só com a música, o programa se escapava. Porquê? Adivinharam! Trata-se do "enésimo" programa de "Melodias de Sempre", com versões de músicas (a maior parte delas com os autores/intérpretes ainda no activo), cantadas de maneira no mínimo "casual" por cantores medianos ou em início de carreira, com arranjos do mais bacoco que há e tocadas por bons músicos que não têm culpa de ter de pagar as contas no fim do mês (até doi ver ali o Tahina e o Tomás Pimentel, por exemplo).

Antes os tele-discos e as gravações antigas!
Mais uns dinheiritos públicos gastos com uma oportunidade perdida!

Entretanto não desanimem que, no próximo Sábado volta o Fernando Pereira!
E se eu tenho razão???

"TV WC"
Artista: Taxi
Álbum: Taxi


sábado, 22 de julho de 2006

Afinal havia erro!

Num comentário que fiz há uns dias sobre a aquisição do livro "Memórias do Rock Português" de Aristides Duarte, referi que esse livro estava à venda na CDGO mas que não o ía comprar lá por causa do elevado preço dos portes.

Pois hoje recebi um mail da própria loja a esclarecer que tinha havido um erro no site e os preços de portes que apareciam por defeito estavam errados e muito mais caros do que o valor real.

Na verdade, ao voltar ao site, o preço que me apareceu (3,50€+1,00€ de cobrança) já me pareceu normal.

Assim sendo, quem quiser o livro é só ir lá, registar-se e encomendar. Já agora, aproveitem para fazer umas buscas que eles às vezes têm coisas que não são fáceis de encontrar.

Deta vez não é pub à borla. É justo repor a verdade quando alguém admite um erro.

Expliquem-me...

... O Fernando Pereira virou dono da RTP?

Nos últimos meses temos sido bombardeados por espectáculos do FP por qualquer razão e nenhuma, não se percebe porquê.

Numa televisão que praticamente não passa músicos portugueses, que não tem um programa de música (o Top+ é um programa de publicidade), muito menos de música portuguesa, dá-se um tempo de antena quanto a mim um pouco exagerado (não digo que que lhe cortassem o pio de vez) a um artista que faz imitações de outros músicos, com opções estéticas no mínimo discutíveis (eu não gosto, pode haver quem goste) e que tem um concerto transmitido na íntegra em que, na maior parte do tempo, canta em "Play-back".

Um de vez em quando até compreendia mas com esta frequência há aqui algo que precisava de ser explicado, ou não?

sexta-feira, 21 de julho de 2006

Xiiii... Olha estes!



Andava eu ontem à noite a fazer um zapping (a garota ocupou o PC, por isso eu ocupei o comando) quando, chegado ao Mezzo, dou de caras com uma guitarra acústica e um par de mãos. A música era familiar, "exclamei a exclamação" acima e ali fiquei até ao fim do "purgama"!

O aspecto dos rapazes, principalmente do Di Meola e do McLaughlin, ainda era mais foleiro do que na foto acima, as guitarras dos mesmos dois eram as execráveis Ovations (praga dos anos 80, não gosto, pronto!) mas com estes tipos até elas soam bem.

Três estilos diferentes de tocar, escolas diferentes, som diferente, personalidades diferentes e o resultado que se pode ouvir.
Como ouvi há uns tempos noutro "purgama", "uma boa razão (no caso três), tanto para começar a tocar como para nunca mais tocar" (dizia o Kiefer Sutherland falando do Brian May)

"Guardian Angel"
Artista: Paco De Lucia, Al Di Meola, John McLaughlin
Álbum: Friday Night in San Francisco

Pub (gratuita... quando é que eu aprendo?)




Os Trabalhadores do Comercio vão finalmente estar AO VIVO na próxima sexta-feira, dia 28 de Julho, a partir das 23:00 horas, e a partir a louça toda, no BELA CRUZ do Porto. Esta sala emblemática está situada ao fundo da avenida da Boavista, na Foz.

Os Trabalhadores, na sua formação original de 1980, vão apresentar uma mistura entre os novos temas que integram o CD single acabado de editar, o albúm a sair no fim do ano e muitas das canções que tornaram conhecido o estilo da banda durante os anos 80-90, só que agora em versões actualizadas.

Faltar a este concerto é como abster-se numas eleições. Comparecer é um dever.

As entradas vendem-se à porta do Bela Cruz no día do espectáculo.

A luta continua....


www.trabalhadoresdocomercio.org

(Missiba binda de... num bi o meile!)

Passam-se?

Tudo bem, os "the Strokes" são uma boa banda que faz boa música, não discuto isso!

Mas porque raio de carga de água é que, por ocasião da vinda deles a Portugal, os "animadores" das rádios que tenho ouvido nos últimos dias se lançaram numa promoção desenfreada ao concerto como se fosse o único acontecimento musical do ano (da década?!?!), chegando mesmo, em alguns casos, a entregar-lhes o título de "melhor banda do mundo na actualidade" como já ouvi algures?

Está-me a escapar alguma coisa que eles tenham feito de extraordinário, é apenas mais um caso de "carneirada radiofónica" ou há ali alguma nova espécie de "campanha de marketing" de que eu, na minha ingenuidade, ainda não tinha conhecimento?

segunda-feira, 17 de julho de 2006

Sérgio Castro... de memória!

Aqui há dias o Sérgio Castro (sim, o dos Trabalhadores do Comércio e Arte & Ofício) passou por aqui e prometeu voltar para deixar algumas histórias "de época" para mitigar a nossa falta de informação e dar umas achegas à pouca literatura disponível sobre o Pop-Rock português.
O texto de há alguns dias atrás, escrito como resposta, está nos comentários.
O de hoje, apesar de também lá estar, é de carácter mais geral e salta para aqui.
Aqui vai:

Sobre o 25 de Abril e a música em Portugal:

Quanto ao 25/4 (esta moda da data é mais uma das curiosidades que nos deixou o 9/11) seguramente terá afectado a música em Portugal. E poderia ter afectado ainda mais, não fora o carácter reacionário do povo Português. Se entendermos por reacionário aquele ou aquela que reage a um estímulo exterior, a coisa nem é grave, mas neste caso a tendência é para reagir de imediato a qualquer estímulo desconhecido, não exercendo a capacidade de análise e, simplesmente, agindo da forma mais animal, atacar ou escapar.
As liberdades conquistadas com o 25 de Abril foram assustadoras para mais que muitos, que de imediato a taxaram (à Liberdade) de demasiada, exagerada e, inclusivamente, perigosa. Assim ficaram os testemunhos de vários movimentos pós 25 de Abril, mais ou menos abortados, vindos dos mais diversos quadrantes políticos, que em nome da liberdade tentaram ‘salvar’ a nação.
Se foi assim na política, porque havería que ser distinto na música? Até porque aí a revolução já tinha começado antes. Por uma parte os ‘baladeiros’, como normalmente eram referidos os que escreviam e musicavam poemas de protesto contra a ditadura e o sistema em geral, por outro lado os músicos de rock, que faziam a apologia do sexo desenfreado e do consumo de drogas como forma de provocação, ainda que não consumissem assim tanto de nenhum deles. Noutro vértice do triângulo os cultivadores do jazz com a sua atitude distante. As outras músicas, fado, folclore e música ligeira, gozavam em muitos casos do apoio oficial e representavam o que as geraçoes dos nossos pais consumiam, mais ou menos sem critério.

Ainda durante a ditadura, os que realmente incomodavam as autoridades eram os ‘baladeiros’ (que os espanhóis classificam, com bastante mais bom gosto, de ‘cantautores’), já que a mensagem era comprometedora na imensa maioria dos casos. Os textos punham o dedo na ferida, acusavam o poder de corrupto e repressivo e alentavam à revolta. Os do rock e os do jazz, como estavam fora de fase, anulavam-se mutuamente, não chegando a incomodar os governantes. Só assim se compreende que Vilar de Mouros tivesse sido possível dentro da conjuntura, no mesmo ano em que a censura proibiu a récita de finalistas do liceu que eu frequentava, por ter dois espaços de ‘baladas’ e uma adaptaçao da obra teatral A Gota de Mel de Léon Chancerel.
Os dois colectivos electro-acústicos classificavam as ‘baladas’ de uma grande ‘seca’, e entre si trocavam piropos do género:
- os roquetas são uma pandilha de flipados que não se lavam e só sabem 3 acordes;
- os do jazz são uma manada de intelectuais frustrados, cuja música faz sono ou não há quem entenda em que tom está – além disso usam esses barretes horríveis que não dizem nada bem com as camisas de flanela aos quadrados.

Se não fôssemos esse povo, talvez não tivesse sido mais ou menos assim e de certeza que o 25/4 teria sido altamente influente na música portuguesa. Mas se não fosse assim o povo, talvez não tivesse havido revolução, nem falta fazia, pois seguramente nunca teria havido ditadura...

Sérgio Castro, 16-07-2006