Agenda de concertos (carregar no evento para mais informação)

sábado, 24 de setembro de 2005

Fazer história

Esta canção já é um bocadinho arqueológica.

Sempre que alguma coisa é destruída, reconstruída ou simplesmente modificada, há sempre algo que fica para lembrar como era antes.


Tom Waits
I wish I was in New Orleans (In the Ninth Ward)*

*O "Ninth Ward" era uma das zonas mais pobres da cidade e foi uma das mais atingidas pelo furacão Katrina

sexta-feira, 23 de setembro de 2005

Porque é que...?

- Os "singles" nunca são as melhores músicas dos discos?

- O nomeado que merece nunca ganha o prémio?

- O baterista é quase sempre considerado o "totó" da banda?

- Os músicos dizem sempre que não ouvem os próprios discos?

- Os críticos de música não sabem ler música?

- As perguntas das entrevistas são sempre as mesmas?

- Os músicos "alternativos" estão proibidos de ter sucesso?

- Os músicos que não têm sucesso são considerados "alternativos"?

- Os músicos dos casamentos são tão maus?

- Os casamentos dos músicos são tão maus?

So what?

Parece que muita gente ficou escandalizada ao saber que o grande êxito dos D'ZRT "Para mim tanto me faz" é, na verdade, uma versão de uma canção japonesa.

E depois?

Já sabemos que os rapazes não são grandes músicos.
O recurso a versões de canções estrangeiras é utilizado por montes de gente.
Os autores sempre vão ganhando uns cobres em direitos (se lhes pagarem, claro).

Pelos vistos a coisa até resultou: anda para aí muita "pita" de "olhos em bico" ultimamente!

quarta-feira, 21 de setembro de 2005

Por falar em farturas...

... aqui fica uma bem "gordurosa" para que não se diga que este não é um blogue pluralista!

Já tem quase 20 anos, daí ser um bocado "dura de engolir" (na verdade já na altura era). Eu acho particularmente inventiva a parte do "...biscuit, oui oui oui oui".

"Molharrei la farture dans ta tasse chaude"
Trabalhadores do Comércio (1986)

segunda-feira, 19 de setembro de 2005

Estranho país, este!

A sinfonia do Benfica é hoje apresentada ao público no Coliseu dos Recreios.

Parece que, para esta apresentação, foi formada uma orquestra com 90 elementos. Só para tocar esta obra do Maestro Vitorino de Almeida.

Tudo bem. Sempre é mais uma obra para a música portuguesa.

O estranho é o motor de tudo isto ser... um clube de futebol.

E o Ministério da Cultura?
Passa a "treinador de bancada"?

As músicas das nossas vidas (5)



Conheci esta numa versão da "Nitty Gritty Dirt Band" e fui logo à procura do original.
Desde aí tem-me acompanhado a espaços. Acabo sempre por ter saudades e ir buscá-la.
Em 2002, a Maria João e o Mário Laginha fizeram uma versão. Não desgostei mas acabei de novo por ir buscar o original.
Nem sei porque gosto tanto dela (a canção). Ou se calhar até sei mas não quero dizer...

Artista: Joni Mitchell
Tema: Both sides, now
Álbum: Clouds

domingo, 18 de setembro de 2005

Não há paciência!!!

Mais uma oportunidade perdida!

Chama-se "Música no ar" e não é mais do que outro programa de "melodias de sempre" igual a tantos que a RTP já produziu, com as mesmas canções e tudo!

Ah, mas este é diferente. Aqui os apresentadores fazem de conta que estão na rádio!

Cretinos!!!

Já temos a RTP memória a repetir os outros. Para que é que precisamos de mais um?
Estes gajos não conhecem outra música?
Volare, ô ô???
Vocês sabem lá???

Somos todos parvos ou quê?

Com os outros canais a dar xaropadas, o Herman cada vez pior e o "quartel das celebridades" na TVI, a alternativa é "isto"?

Mais uma vez se perdeu uma oportunidade de mostrar a música portuguesa de hoje na televisão.

Não há paciência para tanto mau gosto!!!

sábado, 17 de setembro de 2005

As músicas das nossas vidas (4)













Foto: Bruce Springsteen net

Conheci a música de Bruce Springsteen em finais dos anos 70, num daqueles programas de rádio em que se passavam álbuns completos (bons tempos) através do "Darkness on the edge of town". Se tivesse ficado famoso na altura, com as letras de "Darkness", Springsteen teria por certo sido eleito "heroi da classe óperária" pelos partidos de esquerda portugueses. Infelizmente, Bruce acabou por ter sucesso em Portugal com a saída de "Born in th USA" e bastou o título do álbum para os mesmos o definirem como símbolo do "Imperialismo capitalista" (bastava terem tomado atenção à letra dessa canção, mas isso dava muito trabalho) e é o rótulo que carrega ainda hoje por cá.

Para mim bastou essa primeira audição. Mal "The River" chegou às lojas contei os tostões que andara a juntar e lá fui gastar uma pipa de massa num álbum duplo. Fiquei teso mas confortadinho.

Fui mostrá-lo à "seita" como sempre fazia e, à segunda música, logo se levantaram as vozes criticas: Eh pá, isso é música de feira ou: Esse gajo vai concorrer à eurovisão?
Durante os tempos mais próximos acabou por ser esta a canção que ficou. Pelo balanço? Pelo ritmo? Terá sido a vontade que dava de abanar o capacete ou foi mesmo porque todos nos passamos por ter de fazer favores à sogra em vez de ir curtir?

Se Springsteen fosse português, cantasse em português e tivesse aparecido nos últimos anos, esta música era seguramente enfiada no "saco pimba". Como é americano, canta em inglês e já cá anda há uns anos, vai só para a secção dos "Americanos-mainstream-imperialistas-e-estúpidos". A julgar pelo que se ouve hoje nas rádios, passará um dia com honras de "símbolo da resistência rock" em todas as rádios alternativas.

Pois então aqui fica a canção "parôla" que punha a minha "seita" toda aos pulos nas tardes de verão do ano de 1981.

Artista: Bruce Springsteen
Tema: Sherry Darling
Álbum: The River

quarta-feira, 14 de setembro de 2005

Bimbos sois vós, senhores!!!

A musica “pimba” pura e simplesmente não existe!

Já há muito tempo que existe um circuito de música popular de cariz mais ou menos rural que, até há uns anos atrás, funcionava através de um mercado de cassetes áudio, produzidas por pequenas e obscuras editoras, vendidas nas feiras e em pequenos escaparates nas tascas e mercados locais. Era uma música derivada do folclore, com jeitos de fado, mais ou menos dançável cujas letras variavam entre o “malandreco” e o trágico tipo faca-e-alguidar, passando, claro, pelas referências à emigração, tema caro ao público-alvo a atingir.
Ninguém se preocupava muito com isso. Era na Santa Terrinha. Não incomodava ninguém.

O problema começou quando estes artistas populares, até aí conhecidos das festas e romarias, começaram a entrar subitamente no circuito de vendas “oficial”, às claras, aproveitando o mercado das cidades até aí pouco explorado e, ainda por cima, a vender mais do que os das grandes editoras. A música era alegre, as pessoas achavam piada às letras, a jovem classe universitária aderiu em massa e o fenómeno começou a incomodar os “poderes” instalados (e acomodados). Uma chatice!

Pegando no título de um sucesso da altura (“Pimba, Pimba” de Emanuel), logo alguém aproveitou e lhe deu o nome de “Música Pimba” que queria, na verdade, dizer “Música Bimba” (para quem não sabe, bimbo é o mesmo que parolo).

Não sei bem como (a “industria” e os críticos de música em Portugal saberão), o fenómeno tornou-se a grande preocupação nacional, gerando debates protagonizados por “doutas” cabeças pensantes da cultura nacional sobre os malefícios que esta música sem qualidade poderia trazer para o nível cultural dos portugueses.

A partir daí, os críticos passaram a meter toda a música popular de que não gostavam no “saco pimba” e chegámos ao extremo de hoje praticamente não existir música “ligeira” e de uma grande parte da música “pop” portuguesa ser considerada pimba!
Não obstante, todas estas músicas aí “ensacadas” continuam a vender. Como em todos os países da Europa e da América (Sul e Norte), há uma música popular, muitas vezes de baixa qualidade, que vende muito. A diferença é que nos outros países a aceitam, a vendem juntamente com a música de mais qualidade e não têm vergonha dela.

Para ter um povo evoluído culturalmente, a solução não é proibi-lo de ouvir o que gosta mas sim deixar as pessoas fazerem o seu próprio caminho. Divulgar toda a música educa os ouvidos e gera curiosidade por coisas com mais qualidade.

Aos “senhores” da cultura saiu-lhes o tiro pela culatra. A “Música Pimba” é uma invenção vossa, meus amigos. A “Música Pimba” não existe, meus caros. Ponham os pés na terra onde vivem, aprendam a conhecer o povo de que fazem parte e parem de inventar problemas onde eles não existem. Se têm vergonha de ser portugueses mudem de país, mas aviso-vos já que nos outros também há música desta!

Já agora, dêem uma "olhadela" com "ouvidos de ouvir" para dentro do “saco pimba” e descobrirão com surpresa que no meio daquela salganhada toda, há coisas que, embora vocês não gostem (e eu se calhar também não), têm alguma qualidade. Mais até do que alguns dos poucos “eleitos” da critica musical portuguesa.

Um pequeno exemplo em forma de pergunta: Os “Anjos” não terão mais qualidade do que, por exemplo, os “Fingertips”?

terça-feira, 13 de setembro de 2005

O "hamburger" do "jornalismo"!

Passo a citar:

Citemos Marco Paulo, em recente entrevista a uma revista popular: «O pimba veio abandalhar a música». Surpreendente afirmação, vinda de quem vem. Dir-se-á: mas quem é Marco Paulo para dizer semelhante coisa, ele que é o sumo pontíficie do pimba? Pois Marco Paulo disse-o precisamente por ser o sumo pontíficie do pimba, tal como Eurico de Melo é a reserva moral do PSD. Estranhos tempos, estes em que vivemos.
(João MacDonald na Revista 365 – o texto é copiado, os erros de ortografia já lá estavam)

O “jornalista” João MacDonald é, na sua função de crítico, o exemplo acabado do que o João Gil chama um “crítico merdoso”.
Autor não só deste comentário mas de outras pérolas da escrita “jornalística” como: o viaduto de Massarelos, no Porto (...) é o momento prependicular à cidade (...) (de novo, o erro é do autor), além de dar erros incríveis de ortografia e escrever frases que não fazem qualquer sentido, sofre do mais vulgar mal da critica musical portuguesa: “a doença do saco do pimba”!

Meus amigos, de uma vez por todas vou fazer uma revelação que pode ser um choque para muitos de vocês:

Marco Paulo não é pimba!
É mau, muito mau, mas não é pimba!

Voltarei em breve a este tema.